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Geração eólica leva fabricantes para o Nordeste

Valor Econômico/Por Murillo Camarotto

Geração eólica leva fabricantes para o Nordeste

Marcado para 18 e 19 de agosto, o segundo leilão de fontes alternativas de energia elétrica deverá marcar a consolidação do mercado brasileiro de energia eólica. Mais do que isso, o certame deverá confirmar a região Nordeste como o principal polo nacional de fabricação de equipamentos voltados à produção de energia a partir dos ventos.

Dono dos melhores ventos do país, o Nordeste respondeu por quase 90% dos projetos eólicos contratados no leilão anterior, realizado em dezembro. Dos projetos inscritos para o próximo leilão, a região voltou a predominar, com 78% do total. Na avaliação de especialistas, a proximidade entre o parque eólico e os centros de fabricação de equipamentos são um diferencial competitivo importante.

Isso porque as torres que sustentam os geradores de energia, por exemplo, podem chegar a 115 metros de altura e 100 toneladas, o que torna bastante complexa a logística nos casos em que as fábricas ficam distantes dos parques de geração.

Diante disso, muitas empresas estão se movimentando no sentido de fincar os pés no Nordeste. Se considerada a expectativa de que 3 mil megawatts (MW) sejam contratados em agosto, a região poderá receber investimentos de até R$ 11 bilhões somente com o próximo leilão. Somando os projetos contratados no Nordeste no ano passado, o valor passa a quase R$ 20 bilhões.

Apesar de os melhores ventos soprarem no Ceará e no Rio Grande do Norte, a maioria dos investimentos têm sido direcionados para Pernambuco, onde o governo trabalha para desenvolver um parque eólico no Complexo Portuário de Suape, a 60 quilômetros do Recife.

O local abriga hoje uma fábrica de aerogeradores e outra de torres eólicas, e deve receber em breve duas novas fabricantes de pás. No caso dos aerogeradores, a argentina Impsa investiu R$ 145 milhões em uma unidade com capacidade de 300 equipamentos por ano. Já a espanhola Gonvarri aplicou quase R$ 120 milhões para a produção anual de 1 mil torres.

Atualmente, o governo pernambucano acerta os últimos detalhes para anunciar a chegada da Aelis e da Tecsis, duas fabricantes de pás que devem investir algo próximo a R$ 100 milhões cada uma.

Também está prestes a desembarcar, em Pernambuco, a sul-coreana Win&P, fabricante de torres. “A chegada das indústrias de pás será sensacional para o Estado, pois completará a cadeia produtiva, que é formada basicamente por torre, pá e aerogerador”, avalia Pedro Cavalcanti, diretor da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica).

Cavalcanti conta que a preferência dos fabricantes por Pernambuco é explicada pelo desenvolvimento da infraestrutura ao redor do Porto de Suape. “O Estado não tem um belíssimo potencial eólico, mas conta com boa oferta de engenharia e de serviços, além de uma excelente localização geográfica”, avalia.

Ainda assim, outros Estados da região também estão recebendo investimentos. A fabricante alemã de aerogeradores Führlander já se comprometeu a investir R$ 40 milhões em uma unidade no Complexo Portuário do Pecém, a 70 quilômetros de Fortaleza.

Em um primeiro momento, a ideia da empresa é produzir no local 240 turbinas por ano, porém há planos futuros para a fabricação de pás, o que demandará um investimento adicional ainda não calculado.

Na Bahia, a Alston pretende inaugurar no ano que vem uma fábrica de aerogeradores no município de Camaçari, num investimento de R$ 50 milhões. Há ainda planos bastante avançados da dinamarquesa Vestas, também fabricante de aerogeradores. A empresa ainda avalia o local da fábrica, porém o Nordeste é “franco favorito”, segundo afirmou um executivo que pediu para não ser identificado.

Além da proximidade com a maioria dos parques eólicos brasileiros, explica ele, a instalação das fábricas no Nordeste também torna mais eficiente a exportação dos equipamentos para a Europa.

Além da energia eólica, o Nordeste também pretende atrair outras empresas ligadas ao segmento de energia limpa. Está em negociações avançadas a construção, em Pernambuco, de uma fábrica de painéis solares da empresa suíça Oerlikon. A região também deverá receber duas das quatro novas usinas nucleares que o governo pretende construir no país.

De acordo com fontes do governo pernambucano, a Oerlikon está em fase final de análise da demanda potencial por seus painéis. A avaliação é de que a garantia de um mercado consumidor de 50 MW a 100 MW de energia solar já torna viável a abertura da fábrica.

Quanto às usinas nucleares, ainda em fase de análises pelo governo, a região do Vale do São Francisco teria sido uma das que mais agradou à Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras no segmento.

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