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Fundos hedge emergirão da crise repaginados

Fundos hedge emergirão da crise repaginados

Depois de enfrentarem no ano passado uma das piores crises financeiras das últimas oito décadas, com perdas de patrimônio acima de US$ 450 bilhões, o setor de fundos hedge deve voltar a crescer, mas de cara nova. Pesquisa do The Bank of New York Mellon, em parceria com o Casey Quirk, batizada de “The Hedge Fund of Tomorrow: Building an Enduring Firm” (O Hedge Fund de Amanhã: Construindo um Setor para Durar, na tradução livre), estima que a indústria global de “hedge funds” alcançará US$ 2,6 trilhões em ativos sob gestão no fim de 2013. Mas, antes, será reduzida à praticamente metade – cerca de US$ 1 trilhão – no segundo trimestre deste ano.

Entre os principais desafios do setor está a revisão dos modelos operacional e de negócios. Tudo isso, com o objetivo de aperfeiçoar os controles de risco e ampliar a transparência e liquidez do segmento. Vale destacar que o fraco desempenho dos fundos hedge no ano passado – o setor teve perda de 19% em 2008 – afastou muitos investidores.

O setor de fundos hedge, aponta o levantamento, vinha crescendo ano após ano desde o início da década de 90, atingindo o pico de US$ 1,868 trilhão em ativos no ano de 2007. Na última década, a categoria esteve entre as alternativas de investimento com o maior ritmo de expansão no volume de ativos administrados, ao registrar crescimento médio de 20% ao ano entre 2000 até meados do ano passado. Todos esse período de forte crescimento, ressalta a pesquisa, foi marcado por um comportamento controverso do setor dada a sua atividade de gestão de recursos de terceiros, ao mostrar forte obsessão pelo “segredo” e nenhuma disposição para regulação, especialmente nos Estados Unidos.

Em 2008, porém, as turbulências que assolaram o mercado financeiro internacional derrubaram o volume de ativos sob gestão nos fundos hedge para US$ 1,4 trilhão e levantaram dúvidas quanto à sobrevivência do atual modelo de negócios. Investidores foram vítimas não só de fraudes – como a empregada pelo ex-presidente da Nasdaq Bernard Madoff – como de problemas de insolvência envolvendo bancos comerciais e de investimento que atuavam como corretores preferenciais (“prime brokers”, no jargão do setor), como Bear Stearns e Lehman Brothers. Eles emprestavam dinheiro para as compras alavancadas dos “hedge funds”, administravam o caixa dos fundos e faziam a custódia dos ativos. Ou seja, se responsabilizavam por toda a administração da carteira e também usavam parte das garantia dadas pelos fundos como garantia própria para levantar fundos. Tanto é que muitos “hedge funds” acabaram tendo dificuldades para acessar o caixa e os ativos que estavam sob a guarda dos bancos insolventes.

A crise, destaca a pesquisa, acabou levando gestores de “hedge funds” e investidores a discutir um modelo que satisfaça não só as necessidades do fundo como as do investidor. Entre os pilares da nova estrutura está a “terceirização” para instituições independentes das atividades do fundo ligadas à administração, custódia e contabilidade, assim como a avaliação dos ativos e gestão do caixa. Essas instituições também devem ter uma participação maior na mitigação do risco de contraparte.

Da mesma maneira, o setor deve emergir dessa crise mais preocupado com as demandas do investidor por maior transparência e liquidez, o que implicará em revisão das estruturas de custos, carência e remuneração do time de gestão. Uma das mudanças esperadas é a flexibilização das regras, com a adoção de prazos diferentes para resgates, a possibilidade de negociação das taxas e datas de pagamento, entre outros. E uma das alternativas para alinhar os interesses dos diferentes perfis de aplicador é a segregação das carteiras por tipo de investidor e investimento, o que permitiria a adoção de diferentes condições de liquidez para uma mesma estratégia.

Na visão de Robert Leonard, diretor do Credit Suisse, um dos patrocinadores do “Alternative Investment Summit Brasil 2009”, que começou ontem, em São Paulo, a maior preocupação do investidor é com a liquidez. “Muitos investidores ficaram traumatizados com a suspensão de resgates em grande parte dos hedge funds”, afirma. Conforme atesta a pesquisa, que entrevistou 150 profissionais do setor de hedge funds ao redor do mundo, a maioria disse que tem dinheiro preso em fundos desse tipo e reclama que, além de continuarem cobrando taxas, os gestores usaram o mecanismo de suspensão de resgates para preservar seus negócios.

Contudo, a estratégia continua viva. No processo de recuperação do setor, os investidores institucionais americanos deverão ser a principal fonte de capital para o setor, aponta a pesquisa.

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