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Fundos DI elevam fatia de crédito privado ao limite

Os gestores dos fundos DI têm cada vez mais se afastado da estratégia tradicional de colar seu desempenho à taxa básica Selic e incorrido em maior risco para recompor os retornos de suas carteiras. Na busca de um ganho adicional diante do cenário de consistente redução da taxa de juros básica, os gestores têm aumentado a parcela de títulos de crédito privado nesses portfólios, que pela regra pode chegar até 50% do patrimônio. Como consequência, a rentabilidade dessa categoria no ano até agosto, de 6,19%, ficou acima do próprio DI, com 6,02%.

Na BB DTVM, por exemplo, a alocação nesses papéis responde atualmente por cerca de 40% da carteira dos dois maiores fundos DIs da casa, que somavam patrimônio de R$ 32,5 bilhões. Há dois anos (setembro de 2010), esse patamar era de 27%.

Os fundos têm investido em debêntures de empresas de primeira linha e letras financeiras de grandes bancos, que estão pagando uma taxa entre 105% e 107% do CDI, o que permitiu que os fundos apresentassem no ano um retorno superior ao benchmark, ficando entre 103% e 104% do CDI. “A família DI está passando por um momento complicado, em que a taxa de juros está muito baixa e a inflação não está tão baixa assim, o que faz com o que o ganho para o investidor fique muito apertado”, afirma André Abreu, gerente executivo de renda fixa da BB DTVM.

No Santander, a parcela em crédito privado nos fundos DI tem oscilado entre 35% e 40% dos portfólios, concentrada principalmente em debêntures de empresas de primeira linha e letras financeiras. Em 2011, essa parcela ficou entre 25% e 30%. “Esse movimento de aumento do crédito privado nessas carteiras começou desde o final do ano passado, com o retorno real dos fundos ficando cada vez mais apertado”, afirma Aquiles Mosca, estrategista e superintendente da Santander Asset Management.

Nos fundos DI crédito privado no Santander, que podem investir mais de 50% da carteira nesses ativos, essa exposição está em 70% a 75%. “Esses fundos têm captado bem e apresentado um retorno entre 103% a 104% do CDI”, afirma Mosca.

O problema do aumento da alocação em crédito privado, no entanto, é que esses portfólios têm liquidez diária e esses papéis, não. No caso das letras financeiras, o prazo mínimo de emissão é de dois anos e esses papéis não contam com garantia de recompra por parte dos bancos como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Nesse caso, a venda dos papéis é realizada no mercado secundário, onde a liquidez ainda é pequena. “Para reduzir o risco, buscamos compor uma carteira diversificada com vários vencimentos”, afirma Abreu, da BB DTVM.

Os fundos DI da Caixa também têm investido em letras financeiras, CDBs e Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGEs) de bancos. A aplicação em ativos mais longos como as letras financeiras, cujo prazo médio dos papéis em carteira é de três anos, aumentou a volatilidade dos portfólios, que segue menor que a dos fundos de renda fixa, afirma Marcelo de Jesus, superintendente de gestão de ativos de terceiros da Caixa.

Na metade do ano passado, a Caixa alterou o mandato de alguns fundos DI que podiam investir apenas 20% do patrimônio em crédito privado e ampliou esse limite para 50%. Hoje a média de aplicação em crédito privado de todos os fundos DI do banco está em 40% da carteira. “Não pretendemos aumentar essa posição para garantir a liquidez adequada para as carteiras”, afirma o executivo da Caixa.

Na SulAmérica Investimentos, a alocação no fundo que aplica em crédito privado, o Super Premium Referenciado DI, também estava em 40% do portfólio, concentrada em CDBs e em DPGEs com prazos mais curtos, para preservar a liquidez, segundo Marcelo Mello, vice-presidente da Sul América Investimentos.

Enquanto os fundos de renda fixa crédito privado da gestora, que investem em títulos de dívida com prazos mais longos, apresentam uma rentabilidade de 104%, o fundo DI estava com retorno em torno de 102% do índice. Além disso, os fundos de renda fixa podem aplicar em papéis prefixados e indexados à inflação.

Outra alternativa que os gestores têm buscado para reduzir o risco de liquidez é fazer as aplicações em títulos privados por meio de operações compromissadas com os bancos, que consistem em transações de curto prazo com o compromisso de recompra por parte dos bancos.

 

Valor Econômico de 12.9.2012.

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