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Fundos de ações voltam ao positivo na semana

Por Sérgio Tauhata

Bastou pouco mais de uma semana para o cenário dos fundos de ações apresentar melhora substancial. Após oito pregões consecutivos de alta, apenas quatro de nove categorias acompanhadas pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) ainda se mantêm no terreno negativo em março, até o dia 21. Mesmo assim, o recuo registrado nas três semanas do mês por essas carteiras – Ibovespa Ativo, Small Caps, Ações Livre e Long and Short Direcional – é leve, com baixas de, respectivamente, 0,09%, 0,12%, 0,11% e 0,10%. Uma semana antes, todas as classes, com exceção dos “long and short”, acumulavam perdas.

De acordo com Ricardo da Cruz Gouveia Vieira, sócio da Indie Capital, alguns papéis de peso no Ibovespa, com destaque para as ordinárias (ON, com direito a voto) e preferenciais (PN, sem voto) de Petrobras, têm puxado a alta da principal referência da bolsa brasileira. Em apenas uma semana, até dia 25, os ativos da petroleira subiram mais de 9%. E, no mês, até terça-feira, as ações registravam altas de 8,16%, para a ON, e 6,55%, no caso da PN. O Ibovespa avançou 5,37% em cinco dias, entre 17 e 21 de março.

Na análise de Vieira, a valorização dos papéis da Petrobras, que começou há duas semanas, ocorreu por conta de um fluxo positivo de compra vindo do exterior. “Os recursos fluíram não apenas para Brasil, mas a todos os mercados”, afirma. Segundo o gestor, parte do dinheiro que iria para a Rússia pode ter sido redirecionada ao mercado brasileiro. “Esse pode ser um dos fatores de migração de fluxo por conta dos problemas geopolíticos daquele país com a Ucrânia”, avalia.

Para o sócio da Indie, a valorização de Petrobras também contribuiu para segurar o desempenho das carteiras de long and short, que podem manter posições vendidas. “Essas categorias acabaram se prejudicando porque boa parte tinha posições contra o Ibovespa e fora de Petrobras”, diz.

Em relação ao rebaixamento do rating do Brasil pela Standard and Poor’s, Bernardo Dantas, sócio da Edge Investimentos, explica que a reação morna dos mercados ocorreu porque os ativos já tinham precificado os efeitos da decisão. “O mercado já havia antecipado o movimento da agência”, afirma.

O gestor também vê uma presença maior de estrangeiros na bolsa, o que teria impulsionado o Ibovespa nos últimos pregões. “Temos visto alguns investidores de fora mais agressivos comprando futuro do Ibovespa”, conta. Apesar do movimento, Dantas prevê volatilidade na renda variável no curto prazo. “Esse ajuste atual tende a ser muito rápido. A taxa de juros aumentou muito e concorre diretamente com o investimento em fundos de ações.”

O sócio da Edge chama a atenção também para a saída de recursos dos fundos de ações, que indica aumento da percepção de risco. “Todo mundo está esperando o cenário econômico e de eleições ficar mais claro para aumentar a exposição na renda variável”, diz. Apenas em 2014, as categorias de renda variável tiveram resgates de R$ 3,32 bilhões. Em 12 meses, a retirada líquida alcança R$ 7,4 bilhões.

Entre as carteiras que mais perderam na semana passada, estão as cambiais, que tiveram recuo de 1,29%. A categoria registra queda média de 0,60% em março até dia 21, segundo a Anbima.

Para Vieira, da Indie Capital, a apreciação do real impactou o desempenho das categorias de multimercados. “Boa parte dessas carteiras estava muito comprada em dólar”, explica.

Os fundos de inflação tiveram uma semana estável e apresentaram ganho médio de 0,08%, entre 17 e 21 de março. No mês, ainda acumulam um recuo de 0,20%.

As carteiras de renda fixa e DI seguem coladas ao Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), com variações positivas de 0,48% e 0,53% até dia 21 de março, respectivamente, ante um ganho de 0,52% do referencial no período.

Fonte: Valor Econômico de 27.3.2014.

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