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Fundo tenta driblar baixo retorno de bônus

Por David Oakley

Investidores em títulos têm um duplo problema diante de si. Os rendimentos dos títulos estão em mínimos históricos, o que torna difícil obter rendimentos substanciais, ao passo que iminentes altas dos juros nos EUA e no Reino Unido pairam sobre o mercado, ameaçando destruir o valor das carteiras.

Como os papéis de dívida pública americana e britânica de dez anos estão rendendo menos de 3%, e em vista das expectativas de que as taxas de juros vão subir bastante no próximo ano – os contratos futuros de juro interbancário estão precificando que até dezembro de 2015 ocorrerão dois aumentos de 25 pontos-base nos EUA-, os investidores em renda fixa têm uma difícil charada diante de si: como obter retornos razoáveis sem assumir risco excessivo.

Para alguns gestores, a resposta tem sido colocar os recursos em fundos de retorno absoluto – mais agressivos e sem “benchmark”. Essas aplicações usam ferramentas e técnicas de fundos de hedge para ter acesso a mais opções, e têm maior flexibilidade do que os fundos tradicionais de títulos com garantia em dinheiro (“cash bond funds”), que são referenciados a índices.

Andrew Wilson, executivo-chefe da Goldman Sachs Asset Management para a Europa, diz: “Como é possível eliminar o risco de taxa de juros e ao mesmo tempo gerar bons retornos? Necessitamos mais opções do que a compra de títulos com garantia em dinheiro, e é isso o que um fundo de retorno absoluto proporciona”.

Bill Eigen, diretor de investimentos em retorno absoluto e em renda fixa no J.P. Morgan Asset Management, acrescenta: “Esses fundos são agora alguns dos mais populares”, pois oferecem melhores chances de proporcionar retornos positivos em diferentes ambientes de investimento.

Um fundo de retorno absoluto pode comprar títulos garantidos por dinheiro em um leque de classes de ativos – de empresas a mercados emergentes. Esses fundos podem também assumir posições vendidas em futuros de títulos do Tesouro dos EUA ou comprando swaps de risco de crédito (CDS, sigla em inglês) e assumir operações de peso relativo que proporcionam ganhos ao ponderar mais determinadas classes de títulos e ponderar menos outras classes.

Isso significa que esses fundos podem aspirar a retornos de 4% a 6% ao ano, ao mesmo tempo em que protegem totalmente suas carteiras contra riscos cambiais, geralmente mediante a venda de futuros nos mercados de títulos do Reino Unido ou dos EUA.

Em contraste, os fundos de títulos tradicionais tendem a proporcionar retornos mais baixos, além de ficarem expostos a riscos cambiais, riscos associados a mudanças nos juros ou a um aperto monetário mais agressivo do que o precificado pelos mercados. Esse é um grande problema, pois a cada aumento de 15 pontos-base nas taxas de juros não cobertos por hedge é equivalente a uma perda de capital de aproximadamente 1% no caso de um título do governo de dez anos, diz o Goldman Sachs.

Alguns fundos de retorno absoluto tiveram forte crescimento nos últimos 18 meses.

Um dos maiores é o Goldman Sachs Strategic Income Fund, que saltou para US$ 20 bilhões em ativos sob gestão, de apenas US$ 2,5 bilhões no fim de 2012. Nessa mesma linha, o Pimco Credit Absolute Return Fund é um daqueles com mais rápida expansão entre todas as classes de ativos, tendo crescido para US$ 1,2 bilhão, de apenas US$ 16,8 milhões no fim de 2012, segundo dados da Morningstar.

Em comparação, muitos fundos de títulos tradicionais mantiveram-se estáveis em tamanho ou viram o dinheiro neles investido migrar para concorrentes gestores de retorno absoluto, segundo dados da Morningstar.

No entanto, como qualquer investimento sob gestão ativa, o desempenho dos fundos de retorno absoluto depende da habilidade dos gestores de fundos. Os gestores precisam “acertar” o mix ideal de ativos para proporcionar fortes retornos, o que significa prever a velocidade e o percentual das altas dos juros.

Steven Major, diretor mundial de pesquisa de renda fixa do HSBC, afirma que os mercados fizeram muitas vezes previsões errôneas sobre as elevações dos juros nos últimos cinco anos, o que mostra a dificuldade de prever as perspectivas para a política monetária.

“Os fundos de retorno absoluto têm acesso a um leque mais amplo de instrumentos e estratégias do que um fundo de títulos típico”, diz ele. “Mas isso não significa que eles vão acertar, ao definirem uma estratégia.”

“Os mercados têm superestimado sistematicamente a probabilidade de subida dos juros e opiniões consensuais sobre o mercado de títulos têm se revelado muitas vezes erradas.”

Os títulos do Tesouro de longa prazo estão entre as classes de ativos com melhor desempenho até o momento, neste ano, tendo apanhado muitos investidores no contrapé, já que o rendimento caiu de 3% no início do ano para próximo a 2,7%.

Isso deve-se, em parte, à participação de investidores institucionais, como fundos de pensão. Planos de pensões de benefício definido tradicionais continuam a vender ações e a comprar títulos, ao procurarem reduzir riscos e contrabalançar seus compromissos (cobertura dos gastos com aposentadorias e pensões), que são considerados semelhantes a títulos.

Essa abordagem denominada “focada em compromissos” preocupa-se mais com assegurar que os fundos de pensão disponham dos fluxos de caixa suficientes para pagar seus aposentados e menos preocupada com uma diminuição dos valores das carteiras de capital diante de aumentos dos juros.

Em suma, os fundos de retorno absoluto podem parecer oferecer aos investidores de títulos uma maneira de evitar o duplo ônus de submeter-se a rendimentos historicamente baixos e ao risco de prejuízos devido ao aumento das taxas de juro. Mas eles não podem garantir retornos mais elevados, e podem não ser atraentes aos olhos investidores institucionais que visam primordialmente contrabalançar seus compromissos.

Fonte: Valor Econômico do dia 23.04.2014       

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