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Fundo investirá nos setores imobiliário e de infraestrutura

Valor Econômico, 16/out

O escritório da Gávea no Rio tem instalações simples e parece até pequeno para os atuais 140 funcionários da gestora. A maior parte deles usa os dois andares do prédio do Leblon apenas como base – parte da equipe fica em São Paulo, e a maioria passa o tempo em viagens para o exterior, em conversas com investidores, e também pelo Brasil, aproximando-se das empresas em que investem fora do Rio.

Estreitar o relacionamento com os empresários tem sido uma característica da gestora. Nos seis anos em que atua em private equity, os fundadores destacam a parceria conquistada com as empresas.

“É comum que os empresários com quem temos relacionamento nos ofereçam novas oportunidades de negócio”, conta Luiz H. Fraga, sócio fundador da Gávea Investimentos. Ele identifica uma conscientizacão do empresário brasileiro de que a governança agrega valor. “Eles viram como melhorou a precificação de companhias com boas práticas”, afirma.

Na carteira da gestora, é possível identificar as ligações óbvias com o grupo Cosan e com a Odebrecht.

A parceria com Rubens Ometto, criador da Cosan, começou em 2008, com o investimento na Limited, empresa listada em Nova York em uma operação polêmica do empresário. Foi uma fatia comprada já sob a filosofia de montar posições em bolsa e participar da governança da empresa.

“Essa estrutura da Cosan no exterior, como já foi noticiado, está para ser desfeita. Rubens entendeu a operação como necessária e trata-se de um empresário que teve uma excelente visão de negócio”, afirma Arminio Fraga.

No mesmo fundo 3, a Gávea investe em outra empresa de Ometto, a Rumo. Mais recentemente, ao lado da Cosan, fechou negócio com a Camil Alimentos.

Na Odebrecht, o primeiro investimento foi no braço de realizações imobiliários e, logo em seguida, na empresa de óleo e gás.

Essa companhia está no fundo 4, captado já sob sociedade com o J.P. Morgan e que soma US$ 1,9 bilhão. O portfólio ainda está em fase de investimento e, nos próximos dias, a Gávea deverá fechar duas novas participações, uma em uma empresa ligada à área imobiliária e outra de infraestrutura. E então o fundo estará com nove companhias na carteira e somente com 60% investido.

No mês passado a Gávea anunciou sua entrada no capital da Chilli Beans, varejista do setor de óculos e acessórios. A Gávea tem ficado conhecida também pela participação em empresas de varejo. “Hoje consumo já responde por 30% do nosso portfólio. Nessa área, o nosso background macro, de pesquisa, ajuda muito. Esse setor, no cenário atual brasileiro, é muito atrativo”, diz.

O primeiro fundo de private equity da Gávea, de 2006, trouxe seu maior sucesso, a Arcos Dorados, empresa que administra a rede McDonald’s na América Latina e um dos IPOs de maior sucesso dos últimos anos, na Bolsa de Nova York; e seu grande fracasso, a BRA, companhia aérea que acabou encerrando atividades meses após a entrada do Gávea, em parceria com outros fundos.

“Em BRA, fomos o sexto investidor a entrar no negócio, houve o apagão aéreo e deu tudo errado. Mas voltamos ao setor e em uma história de grande sucesso, que está sendo a Azul agora”, diz Arminio.

“Nós erramos em BRA. O que eu vou dizer agora não justifica, mas mostra que foi um erro pequeno. Ela estava no nosso fundo 1 e investimos R$ 10 milhões. No mesmo fundo, estava a Arcos Dorados. Podemos dizer que nosso cotista não tem do que reclamar”, afirma.

Apenas em Arcos Dorados, a Gávea embolsou cerca de US$ 900 milhões – ou perto de três vezes o valor investido pelo fundo 1 -com a venda de suas fatias na bolsa americana. Os sócios afirmam que a bolsa não é a única forma de sair do investimento.

“A obrigatoriedade é uma armadilha que tentamos evitar. Partimos do princípio de que para um bom negócio sempre haverá investidor. Se não for na bolsa, haverá outras formas de desinvestir”, diz Arminio. Em Ipanema Coffees e na CPM Braxis, a fatia da Gávea foi vendida a outro investidor.

O primeiro fundo, que ainda mantém o investimento em Multiterminais, deu retorno a seus cotistas de 40% ao ano – e é possível dizer que os outros têm desempenhos parecidos, afirmam os executivos.

Além das participações em empresas fechadas, a Gávea também investe em companhias listadas, mas desde que a gestora acompanhe a governança.

Lojas Americanas, Fibria e Cosan são os principais investimentos hoje – no passado já investiram em Cyrela e Multiplan, mas sem que participar da governança fosse condição.

Eles afirmam não ver conflitos entre nas duas atividades.

“Somos naturalmente especializados em procurar empresas para investir. Nosso investimento em companhias na bolsa é oportunístico, mas quando ocorre vem de disciplina e ‘valuation’. Ingressamos em empresas bem administradas que estejam a preços muito baixos na bolsa. Não há conflito. Temos mandato de nosso investidor para fazer isso”, afirma Arminio, acrescentando que o que a Gávea não faz mais é comprar pequenas participações em ações em bolsa, como acontecia nos fundos 1 e 2. (APR)

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