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Fundo de recebíveis do Cruzeiro paga cotistas

Em meio às incertezas sobre o futuro do Cruzeiro do Sul, os investidores de pelo menos um dos fundos de recebíveis do banco conseguiram receber os recursos que aplicaram com a rentabilidade prometida e sem sofrer perdas. Nos últimos três meses, os investidores resgataram R$ 555,7 milhões, a maior parte com a liquidação de certificados de depósito bancário (CDB) do Cruzeiro que faziam parte da carteira e venceram nesse período.

Os chamados fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC) eram usados pelo Cruzeiro como forma de captação de recursos no mercado, uma prática comum entre as instituições financeiras de médio porte. Com a venda de carteiras para os FIDCs, a instituição antecipava receitas para originar novos créditos.

O fundo tinha duas séries em aberto. Uma delas prometia a maior rentabilidade entre a taxa de 120% do depósito interfinanceiro (DI) ao ano e da inflação medida pelo IPCA mais 9% ao ano. A outra tinha como meta entregar aos cotistas o maior retorno entre 13,7% e IPCA mais 7,25% ao ano. Para dar conforto aos investidores, o próprio Cruzeiro entrava como cotista subordinado dos fundos, o primeiro a sofrer perdas em caso de problemas como um aumento na inadimplência dos créditos do fundo.

Os investidores concluíram os resgates no FIDC BCSul Verax Multicred Financeiro no último dia 31 de agosto, de acordo com relatório da agência de risco Standard & Poor’s (S&P). Antes da decretação do regime de administração especial temporária (Raet) do Cruzeiro do Sul pelo Banco Central, o fundo contava com patrimônio de R$ 3,858 bilhões. Desse total, os investidores detinham R$ 518 milhões, enquanto as cotas subordinadas nas mãos do Cruzeiro respondiam pelo restante.

Após a decretação do Raet pelo Banco Central, os investidores do FIDC decidiram pelo resgate das cotas. Os ativos do fundo na época eram divididos entre recebíveis de contratos de financiamento, principalmente de crédito consignado, e CDBs emitidos pelo próprio Cruzeiro. Com a constatação de que o banco gerava créditos fictícios, o fundo sofreu uma provisão de R$ 987 milhões.

Dos recursos que entraram na conta do FIDC nos últimos meses, apenas R$ 53,4 milhões foram obtidos com a liquidação de empréstimos. Os demais R$ 549 milhões se referem aos CDBs do Cruzeiro que venceram durante esse período e foram honrados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assumiu a administração da instituição.

Mesmo sem considerar a fraude constatada no banco, os créditos que compõem o fundo apresentaram uma forte deterioração. O percentual de atraso acima de 30 dias já ajustado com a retirada dos chamados ativos inexistentes era de 71,6%, de acordo com a S&P. A piora pode ter sido provocada pelo período de transição na administração do banco, pondera a agência de risco, em relatório.

Antes da definição do destino do Cruzeiro, a principal dúvida para os investidores dos outros FIDCs do banco era justamente a forma como os créditos detidos na carteira serão cobrados. Além dos problemas operacionais, existem ainda questões jurídicas sobre a titularidade dos créditos em caso de liquidação da instituição.

Valor Econômico de 13.9.2012.

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