Felsberg Advogados
Home | Funcef pretende aumentar investimentos estruturados
Publicações

Funcef pretende aumentar investimentos estruturados

Por Mônica Izaguirre

A Funcef, fundação de previdência complementar dos empregados da Caixa Econômica Federal, pretende chegar ao fim de 2014 com 12,2% da carteira representada por investimentos estruturados – participações, por meio de fundos, em empresas de geração de energia, de óleo e gás e concessionárias de rodovias e aeroportos, por exemplo. O plano implica aumento de quase 50% da fatia de 8,3% a eles alocada no fim de 2013.

Por causa da boa rentabilidade que vêm proporcionando, a intenção é seguir priorizando essas aplicações até 2018, para que alcancem 16,1% do total de ativos, informou ao Valor Carlos Alberto Caser, presidente da entidade, um dos maiores fundos de pensão do país. O limite regulatório é de 20%.

Em dezembro passado, os investimentos estruturados da Funcef eram avaliados em R$ 4,346 bilhões, dentro de uma carteira total de R$ 52,5 bilhões. Ao longo de 2013, eles deram retorno de 20,22%, acima da meta atuarial (11,37%), ajudando a compensar perdas em investimentos classificados como de renda variável e permitindo que a entidade registrasse rentabilidade total de 6,98%.

“Continuamos atrás de boas oportunidades”, disse Caser, lembrando que a Funcef já está, por exemplo, na Norte Energia, que está construindo e vai explorar a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Também é sócia indireta na Invepar, concessionária do aeroporto de Guarulhos (SP) e que obteve a concessão da rodovia BR-040 entre Brasília (DF) e Juiz de Fora (MG).

É intenção elevar ainda os investimentos no mercado de imóveis, que deram retorno de 23,38% em 2013. Porém, por causa do limite regulatório de 8% da carteira, já estourado (9%), isso exigirá antes implementação de estratégia para reclassificar parte deles para renda variável, informou Caser.

O teto foi ultrapassado “passivamente” por causa da valorização dos imóveis. Para contornar o problema e ainda abrir espaço a novas aquisições, a fundação pensa em transferir prédios de sua propriedade a fundos imobiliários dos quais seria cotista única. Assim, os investimentos poderiam ser reclassificados. Dois fundos devem ser criados, um para prédios que abrigam agências da Caixa, patrocinadora da Funcef, e outro para edifícios comerciais que não sejam shoppings. Caser destacou que essa saída ainda daria mais liquidez aos investimentos, pois a venda de cotas de fundos, em tese, é mais fácil que a de prédios.

A rentabilidade de 6,98% não evitou que a Funcef registrasse resultado negativo de R$ 1,744 bilhão, fechando 2013 com déficit atuarial pelo segundo ano consecutivo. Caser esclareceu que a situação ainda não exige aumento de contribuições previdenciárias, nem dos participantes nem do banco estatal patrocinador. Segundo ele, o aumento de contribuições para sanar o déficit acumulado, que atingiu R$ 3,116 bilhões em dezembro, só será necessário se ele persistir até o fim de 2014, completando os três anos previstos na legislação.

O retorno das aplicações foi bem inferior à meta principalmente por causa das perdas em renda variável, de 3,35% no ano. Nesse segmento estavam concentrados, no fim de 2013, 34,1% dos investimentos da fundação. “Sofremos com a conjuntura”, disse Caser, chamando atenção para o tombo de 15,5% do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira. As ações de emissão da Vale estão entre as que se desvalorizaram, o que provocou queda de 10% no valor contábil da participação societária detida pela fundação no capital da empresa. A Vale é parte relevante da carteira de renda variável da Funcef e, por causa de um acordo de acionistas, a entidade não pode se desfazer dela até 2016.

Caser lembrou que 2013 foi um “ano sofrido” para os fundos de pensão em geral. Ele ponderou que, considerando o desempenho do conjunto do sistema de previdência complementar fechada, até que a rentabilidade da Funcef foi “bastante boa”. Numa amostra de 730 planos de benefícios administrados pelos fundos de pensão, a rentabilidade média foi de inexpressivos 0,2%, segundo a Previc, autarquia federal que fiscaliza o sistema. Mesmo olhando só o quartil com rentabilidade mais alta, a média ficou em 6,12%, menor que a obtida pela Funcef.

Fonte: Valor Econômico de 31.3.2014.

Topo Voltar