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Fator prepara carteira focada em resíduos sólidos

Por Olivia Alonso

O Banco Fator vai estrear no segmento de fundos de participação com um produto direcionado ao investimento no segmento de resíduos sólidos. Após dois anos de preparação e avaliações do mercado brasileiro de coleta, tratamento e transformação de lixo, o banco pretende lançar o fundo nos próximos meses, com o objetivo de investir R$ 400 milhões em empresas de médio porte que atuem em diversas atividades dentro do setor.

Primeiro produto de “private equity” do país com foco em resíduos sólidos, o fundo terá um período de oito anos para a realização dos investimentos e a saída dos projetos, segundo os responsáveis. No momento, a Fator Administração de Recursos (FAR) possui uma relação de cerca de 20 possíveis alvos para os aportes, que são companhias de pequeno ou médio portes que atuam em reciclagem de produtos diversos, como vidros, por exemplo, que operem aterros sanitários ou tenham projetos de usinas de recuperação energética, para a geração de energia com a queima do lixo e do gás.

A princípio, a ideia do banco, que terá o fundo gerido pela FAR, é lançar um fundo para investidores institucionais, com expectativas de bons retornos no longo prazo. Mas ainda está em discussão internamente a possibilidade de criação de uma família de fundos de sustentabilidade dentro do banco, tendo o de resíduos sólidos – ainda sem um nome definido – como o primeiro deles.

Na visão dos responsáveis pelo fundo, entre eles Fábio Moser, diretor geral da FAR, e Glenn Peebles, responsável pela estruturação do produto, o mercado brasileiro de resíduos sólidos é bastante promissor, está em um momento importante de desenvolvimento e poderá trazer um retorno entre 20% e 25% ao ano, em termos nominais, aos investidores. “Nosso foco não será a coleta do lixo, mas sim as atividades que tenham maior valor agregado”, diz Moser.

“Avaliamos dez empresas abertas que atuam com resíduos sólidos e verificamos o retorno delas durante dez anos”, afirma Peebles. A partir dessa análise e das avaliações do mercado brasileiro, juntamente com a Consultoria Paulista de Estudos Ambientais (CPEA), foi identificado o potencial de retorno do fundo, segundo os executivos. Especializada no setor de resíduos sólidos, a CPEA atua como parceira do banco no projeto e terá uma parte das remunerações e da performance do fundo.

Peebles comenta que além de o Brasil ainda ter um mercado pequeno – estimado em cerca de US$ 11 bilhões, enquanto nos Estados Unidos gira em torno de US$ 60 bilhões -, já possui regulamentação, com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Além da percepção de potencial do setor, a escolha do nicho teve por base o objetivo de aliar a obtenção de uma boa rentabilidade à tentativa de evitar a vulnerabilidade a crises, afirmam os executivos. “O setor do lixo é bastante previsível, o que garante uma menor volatilidade”, diz Peebles.

Moser afirma ainda que a empresa queria ter um fundo com grande ligação com a temática da sustentabilidade, missão que lhe foi passada pelo conselho da empresa há dois anos, quando a ideia começou a se desenvolver.

A FAR e o Banco Fator esperam levar o fundo ao mercado nos próximos meses, assim que todas as documentações estiverem prontas e cumpridas as exigências da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O próprio banco investirá R$ 30 milhões no fundo.

 

Fonte: Valor Econômico de 15.4.2014.

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