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ETFs enfrentam ajuste após euforia

No começo de 2010 a Russell Investments, uma gestora de fundos e compiladora de índices de mercado, contratou dois astros da indústria dos fundos negociados em bolsas de valores (ETFs) que foram pioneiros na muitíssimo bem sucedida franquia iShares. Seguindo firmas como a BlackRock e a State Street, a Russell apostou que os investidores buscariam estratégias mais ágeis para entrar e sair dos mercados após crises financeiras. Menos de dois anos depois, a Russell anunciou o fechamento de seu negócio de fundos de administração passiva.

A breve e mal sucedida incursão da Russell nos ETFs é emblemática de uma dinâmica mais ampla em ação no setor. Os ativos totais continuam aumentando – 13% este ano, em termos globais, para US$ 1,7 trilhão -, mas a lucratividade está caindo em razão da concorrência dos preços.

Agora, muitos perguntam se a decisão da Russell não seria o começo de uma onda de fechamentos. “O anúncio da Russell poderá ser um divisor de águas”, afirma Ronw Rowland, fundador do Invest with an Edge, um site da internet que monitora a indústria dos ETFs. “Há uma série de pequenas firmas que lançam ETFs que estão sofrendo perdas com fundos impopulares. Se uma grande companhia como a Russell, com bolsos fundos, foi forçada a jogar a toalha, essas firmas terão que se perguntar por quanto tempo mais conseguirão se segurar.”

Alguns já estão fechando as portas. Um total de 71 produtos negociados em bolsa (ETPs, na sigla em inglês) anunciou o fechamento nos Estados Unidos este ano – 13 a mais que o ano recorde anterior, em 2008. Os ETPs incluem fundos que investem diretamente nas ações que fazem parte do índice, assim como em notas estruturadas que prometem igualar o retorno do índice.

Os fechamentos, embora significativos, são apenas uma pequena fração dos 1.500 ETPs listados nos Estados Unidos. A maioria dos gestores desses produtos parece determinada a seguir em frente. Para os apoiadores desses fundos, que incluem gestoras de ativos ou bancos de investimentos como a Fidelity e o Goldman Sachs, perdas com um ou dois pequenos fundos nada mais são que erros de arredondamento.

Os otimistas afirmam que vale a pena perseverar com os fundos deficitários porque as dificuldades do setor são temporárias, motivadas principalmente pelos baixos volumes de negócios e pela volatilidade nos mercados de ações. De fato, em termos relativos, o setor ainda parece estar em boa forma. Os ETFs e títulos americanos atraíram US$ 77 bilhões em captações líquidas no primeiro semestre, em comparação a retiradas de US$ 63 bilhões dos fundos mútuos.

“Os fechamentos de ETFs são um reflexo do ambiente de negócios e investimentos. As firmas financeiras estão reduzindo o número de funcionários e racionalizando produtos”, diz Deborah Fuhr, sócia da companhia de pesquisas ETFGI. “Mas se o mercado reagir, os ETFs voltarão ainda mais fortes e as captações serão até maiores do que já são.”

Mais provável que os fechamentos em massa poderá ser uma poda nos fundos mal sucedidos, além de mudanças nos tipos de fundos que são lançados, segundo afirmam analistas.

Os ETFs de ações, que acompanham passivamente índices investindo recursos nas ações que os formam, há muito são o esteio do setor. Mas eles estão perdendo espaço entre os gestores de fundos em razão da queda da lucratividade. Como os fundos passivos são fáceis de serem estabelecidos, muitos novatos vêm fazendo isso, na esperança de repetir o sucesso do SPY Fund da State Street, que acompanha o índice S&P 500 e tem mais de US$ 100 bilhões em ativos.

Na Europa, por exemplo, cerca de 40 ETFs diferentes acompanham o índice Euro Stoxx 50. O resultado é uma competição de preços feroz. Algumas companhias tentam diversificar as atividades para os fundos de renda fixa e commodities, que registram captações de recursos muito maiores que os fundos de ações neste ano. Outras estão lançando fundos em bolsas asiáticas, em um esforço para atrair novos investidores.

Algumas firmas decidiram se voltar para ETFs gerenciados de maneira ativa, que são mais difíceis de serem copiados pelos concorrentes e podem cobrar taxas maiores. “Os investidores em fundos ativos buscam um desempenho superior, o que significa que as taxas de administração são bem menos importantes”, afirma Michael John Lytle, diretor-gerente da Source de Londres.

Alguns fundos ativos vêm tendo um desempenho fenomenal. O Total Return ETF, da Pimco, atraiu mais de US$ 2,5 bilhões em ativos desde sua abertura, em abril. Mas, tirando fora os fundos da Pimco, a média dos ETFs gerenciados de maneira ativa listados nos EUA possui apenas US$ 76 milhões em ativos, segundo a XTF, uma provedora de informações de mercado. Apesar do sucesso de alguns fundos ativos, novos fechamentos e uma maior consolidação parecem necessários no setor, antes do retorno das margens gordas.

Valor Econômico de  10.9.2012.

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