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Estrangeiro se antecipa à recuperação da Bovespa

Por Téo Takar

Os estrangeiros já estão prontos para a guinada da Bovespa rumo aos lucros. Responsáveis pela maior parte dos recursos aplicados no mercado brasileiro, eles se anteciparam à reação da bolsa observada nos últimos dias e inverteram completamente seu posicionamento em derivativos.

Dados da BM&FBovespa mostram que a posição líquida dos estrangeiros em contratos de Ibovespa futuro, negociados na BM&F, estava vendida – aposta na queda da bolsa – em 35,6 mil papéis no dia 25 de julho. Essa posição foi zerada em 30 de julho e, na última segunda-feira (6), ficou comprada em 14,6 mil contratos. Nesse mesmo período, o Ibovespa saiu de 52.607 para 58.344 pontos no mercado à vista, um avanço de quase 11%.

“É uma mudança de posição enorme”, ressalta o analista técnico Cesar Crivelli, da Citi Corretora. Segundo ele, é a maior posição comprada dos estrangeiros em contratos de Ibovespa futuro desde dezembro de 2010, o que reforça a aposta desse investidor na alta do mercado brasileiro.

Os números do mercado de derivativos, no entanto, ainda não se refletiram no fluxo de capitais do mercado à vista. Segundo a bolsa, os estrangeiros estavam com um saldo vendedor de R$ 473,3 milhões neste mês até sexta-feira (3). Como esse dado é divulgado pela BM&FBovespa com dois dias de atraso, hoje o mercado saberá se a alta de 1,9% de segunda-feira, quando o Ibovespa rompeu a importante resistência gráfica de 57.600 pontos, teve um empurrão do capital externo. De toda forma, as saídas de recursos estrangeiros da Bovespa desaceleraram nos últimos meses. Em julho, apenas R$ 281 milhões deixaram o mercado brasileiro. Em maio, quando a crise europeia assustava mais, a fuga chegou a R$ 2,3 bilhões.

Ontem, após dois dias de fortes ganhos, a bolsa passou por uma realização de lucros, na contramão dos mercados americanos, que marcaram mais um dia de altas. “A Bovespa andou mais que as outras bolsas nos últimos dois pregões. É natural que devolva um pouco”, pontuou o chefe de análise da SLW Corretora, Pedro Galdi. O Ibovespa encerrou em baixa de 1,06%, aos 57.725 pontos, com volume de R$ 6,955 bilhões.

A queda não foi maior porque Petrobras PN (1,65%) e ON (1,44%) seguiram em firme alta. A presidente da companhia, Maria das Graças Foster, voltou a falar. Destacou que a política de distribuição de dividendos da companhia não vai mudar e que a Petrobras não fará uma nova emissão de ações para captar recursos para seu plano de investimentos. As perdas ficaram concentradas justamente nos papéis que haviam subido muito nos últimos dias, caso de Usiminas PNA (-8,45%), que andou 50% em sete pregões. A lista de maiores baixas trouxe ainda Rossi ON (-7,04%), Gafisa ON (-7,0%) e B2W ON (-6,78%). Entre as mais negocidas, Vale PNA fechou quase estável (0,02%); OGX ON recuou 1,13%; e Itaú PN ganhou 0,93%.

Crivelli, da Citi Corretora, observou que, apesar da realização, o Ibovespa respeitou o nível de 57.600 pontos, que colocou a bolsa brasileira em tendência de alta. “A resistência agora virou suporte. Vamos observar se o Ibovespa fechará a semana acima deste nível, reforçando a tendência.” O analista técnico estima que o Ibovespa tem força para buscar os 63 mil pontos. O quadro fica negro apenas se o índice perder os 55.500 pontos.

Valor Econômico de 8.8.2012.

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