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Estrangeiro retira R$ 1,2 bilhão da Bovespa em três dias

Um termômetro de como a situação dos emergentes anda delicada é o fluxo de capital externo. O investidor estrangeiro já retirou R$ 1,206 bilhão da Bovespa, apenas entre os dias 24 e 28, segundo os últimos dados da bolsa. No ano passado, os ingressos líquidos somaram cerca de R$ 11 bilhões, o que mostra que esse é um movimento recente.

Para o estrategista da Fator Corretora, Paulo Gala, a decisão tomada na quarta-feira pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) “sacramentou” o ritmo de retirada dos estímulos em US$ 10 bilhões por reunião. “E os emergentes, sem querer, estão dando uma força para o Fed. A fuga pela qualidade está ajudando a segurar o juro dos Treasuries. A maior preocupação era justamente que as taxas começassem a subir com a retirada de estímulos.”

O especialista avalia que o ajuste dos emergentes é inevitável e vai seguir provocando volatilidade. “Vamos ter que enxugar a conta corrente e elevar os juros.”

Ontem, a volatilidade predominou do começo ao fim do pregão. No fim das contas, o Ibovespa caiu 0,66%, aos 47.244 pontos, com volume de R$ 5,775 bilhões.

A agenda carregada de eventos aqui e no exterior permitiu justificativas para todos os gostos. Pela manhã, o mercado iniciou no vermelho, ainda digerindo a decisão do Fed.

Depois, o Ibovespa chegou a pegar carona na forte alta das bolsas americanas com o resultado do PIB dos EUA, testando a linha dos 48 mil pontos, mas perdeu força à tarde. Os investidores repercutiram os balanços de Bradesco, Santander e Fibria.

Entre as principais ações do índice, Vale PNA perdeu 0,66%, a R$ 29,76, depois da forte alta de quarta-feira, quando avançou 3,73% embalada pela emissão de R$ 1 bilhão em debêntures de infraestrutura. Já Petrobras PN voltou a cai 0,67%, para R$ 14,70.

No setor bancário, Itaú PN terminou em leve alta de 0,10%, para R$ 29,52; Bradesco PN caiu 0,61%, a R$ 25,72; Banco do Brasil ON perdeu 0,74%, para R$ 20,10; e Santander Unit recuou 2,64%, a R$ 11,41. O Bradesco divulgou lucro líquido de R$ 12,202 bilhões em 2013, alta de 5,9%, enquanto o lucro do Santander encolheu 22,7% no ano passado, a R$ 2,107 bilhões.

Na ponta negativa do Ibovespa ficaram Energias do Brasil ON (-5,03%), Marfrig ON (-3,40%) e Fibria ON (-3,34%). A fabricante de celulose também divulgou balanço, com prejuízo de R$ 187 milhões no quarto trimestre, revertendo o lucro de R$ 47 milhões apurado um ano antes.

Entre as maiores altas ficaram Cesp PNB (4,35%), Natura ON (3,04%) e Cemig PN (1,87%). Os papéis das geradoras reagiram à alta no preço da energia de curto prazo, que deve bater o teto regulatório de R$ 822,83 por MWh na próxima semana. A disparada é reflexo da falta de chuvas no país, que deixa os reservatórios das hidrelétricas em níveis baixos, obrigando o uso da termelétricas.

Em Nova York, o dado do PIB e a safra de balanços animaram os investidores. O índice Dow Jones subiu 0,70%, para 15.848 pontos, o Nasdaq avançou 1,77%, aos 4.123 pontos, puxado pelas ações do Facebook (14,1%), e o S&P 500 ganhou 1,13%, para 1.794 pontos.

Fonte: Valor Econômico de 31.1.2014.

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