Felsberg Advogados
Home | Estrangeiro aplica mais de R$ 2 bi e garante alta da Bovespa em março
Publicações

Estrangeiro aplica mais de R$ 2 bi e garante alta da Bovespa em março

O investidor estrangeiro salvou o mês da Bovespa. A forte entrada de capital externo na segunda quinzena de março deu fôlego à bolsa brasileira, que registrou sua primeira alta mensal desde outubro do ano passado.

E foi uma alta de respeito, de mais de 7% no mês, maior avanço do Ibovespa desde janeiro de 2012, quando subiu 11,1%. O último pregão do mês também marcou a décima alta dos últimos 11 pregões, com o Ibovespa consolidando os 50 mil pontos, nível que não era visto desde o início de janeiro.

Além da ajuda dos estrangeiros, o mercado local sofreu a influência positiva das bolsas americanas ontem. Lá, os investidores reagiram ao discurso da presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Janet Yellen, que se mostrou mais favorável à manutenção do afrouxamento monetário nos EUA.

O Ibovespa subiu 1,3% ontem, a 50.414 pontos, maior nível desde 8 de janeiro (50.577 pontos), com volume de R$ 6,871 bilhões. Desta forma, o índice acumulou ganho de 7,05% em março e reduziu as perdas no ano para 2,12%.

Vale lembrar que há pouco mais de 15 dias, em 14 de março, o índice marcou sua mínima em 2014, de 44.966 pontos, com a perda no ano alcançando 12,7%. Ou seja, em pouco mais de duas semanas, o Ibovespa avançou 12,1%.

Para o estrategista da SLW Corretora, Pedro Galdi, a forte alta do Ibovespa em tão curto período foi baseada no fluxo de capital externo. Ele lembra que o investidor estrangeiro aplicou R$ 2,2 bilhões na bolsa brasileira em março, até o dia 27. No ano, o fluxo está positivo em R$ 2,6 bilhões.

O analista técnico Raphael Figueredo, da Clear Corretora, acredita que o Ibovespa pode chegar aos 52 mil pontos em breve. “Os investidores seguiram na inércia da semana passada, já que não houve notícia boa ou ruim para direcionar os mercados nos últimos dias”, afirmou.

Porém, depois de tantos pregões em alta, o analista avalia que o mercado deverá passar por uma correção nos próximos dias. Mas eventuais baixas não anulam o movimento de recuperação traçado nas duas últimas semanas, após mais de quatro meses de baixas. Segundo ele, a situação só voltaria a ficar preocupante caso o Ibovespa perdesse a linha dos 47.500 pontos.

Figueredo chama atenção ainda para o gráfico do Ibovespa ajustado pelo dólar – que é a forma como os investidores estrangeiros enxergam o mercado brasileiro. “O gráfico ficou bastante interessante, com uma bela formação de alta, que deve continuar atraindo os estrangeiros.” Desde sexta-feira (28), o Ibovespa em dólar passou a ficar positivo no acumulado do ano.

Ele lembra que esta semana será movimentada, com reunião do Copom, o dado de geração de empregos (“payroll”) nos Estados Unidos e a reunião do Banco Central Europeu (BCE), na qual se espera o anúncio de medidas de estímulo à economia da região. Portanto, o Ibovespa poderá mostrar volatilidade mais acentuada nos próximos pregões.

Entre as principais ações do Ibovespa, Vale PNA subiu 1,94% ontem, para R$ 28,35; Petrobras PN ganhou 0,76%, a R$ 15,78, e Itaú PN marcou alta de 1,98%, a R$ 33,90. Entre as maiores altas do dia ficaram Gafisa ON (6,25%), Energias do Brasil ON (5,85%) e Eletrobras ON (4,76%). Na outra ponta apareceram Duratex ON (-3,50%), Oi PN (-3,40%) e LLX ON (-2,91%).

Vale ficar atento ainda à divulgação, hoje, da primeira prévia da carteira teórica do Ibovespa – a primeira a adotar 100% da nova metodologia do índice -, que entrará em vigor no início de maio. Segundo estudo do HSBC, Raia Drogasil ON e Multiplan ON têm grandes chances de ingressar no Ibovespa, enquanto Dasa e Prumo Logística (ex-LLX) devem deixar o índice.

Em Wall Street, Janet Yellen deu o tom dos negócios. Em um discurso em Chicago, ela disse que a economia americana precisará de suporte por mais algum tempo. Yellen voltou a dizer que a economia e o mercado de trabalho dos EUA estão longe do considerado saudável, o que requer a continuidade do apoio do Fed. O índice Dow Jones subiu 0,82%, o Nasdaq ganhou 1,04% e o S&P 500 avançou 0,79%.

Fonte: Valor Econômico de 1.4.2014.

Topo Voltar