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Estrangeiro amplia compra de ações após estímulos

Setembro marca a consolidação da volta do investidor estrangeiro à bolsa brasileira. O movimento – que reverteu já em agosto a tendência negativa verificada de maio a julho – ganhou força neste mês com os estímulos econômicos anunciados recentemente pelos Estados Unidos e Japão, além dos incentivos à indústria no Brasil. Com isso, os investidores de fora começam a projetar um patamar mais alto para o Ibovespa até o fim do ano. Nessa nova realidade, a pessoa física ainda ficará ausente dos negócios e o estrangeiro tende a elevar sua fatia, dizem especialistas.

O saldo do investimento estrangeiro este ano é positivo em R$ 5,5 bilhões. Neste mês, até o dia 19, o fluxo de capital externo (diferença entre compras e vendas de ações) estava positivo em R$ 2,549 bilhões. Na semana de 13 de setembro, dia do anúncio do alívio monetário promovido pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), o investidor externo foi o grande responsável por inflar os volumes negociados diariamente no pregão, ajudando a impulsionar o Ibovespa.

Segundo analistas, a tendência até o fim do ano é de entrada de mais estrangeiros, mas em um nível menor do que o verificado em afrouxamentos monetários anteriores. Vale lembrar que, no primeiros dois meses do ano, o Ibovespa disparou 16%, em uma reação à injeção de quase 500 bilhões de euros do Banco Central Europeu anunciada no apagar das luzes de 2011.

Os estrangeiros continuam dominando os negócios na bolsa. Corretoras e bancos conhecidos por operar para clientes de fora do país estão tanto na ponta compradora quanto na vendedora, mas predominam do lado positivo. No ano, até o dia 20 de setembro, a Credit Suisse Hedging-Griffo lidera o volume líquido positivo negociado (diferença entre total de compras e de vendas de papéis), com R$ 197 milhões. É seguida por Merrill Lynch (R$ 180 milhões) e Citigroup (R$ 137 milhões). Na outra ponta, o Morgan Stanley é o maior vendedor líquido, com R$ 352 milhões no período. É seguido pela Socopa (R$ 210 milhões) e pelo Santander (R$ 182 milhões).

Em setembro, até o dia 18, o estrangeiro negociava 40% da bolsa. Os institucionais brasileiros respondiam por 32% e as pessoas físicas, por 18,6%. Para efeitos de comparação, a participação mínima do estrangeiro chegou a 25,8% em junho de 2010. “A tendência é que esse quadro pelo menos se mantenha até o final do ano”, diz o professor de finanças do Insper Alexandre Chaia. “A situação como um todo melhorou no mundo.”

Os alívios monetários dos Estados Unidos e do Japão têm o primeiro efeito benéfico de colocar dinheiro extra nas mãos dos investidores, que passam a procurar boa remuneração. Como os recursos estão nas mãos dos estrangeiros, são eles que ampliam as posições, em detrimento dos aplicadores locais.

Além disso, lembra Pedro Alceu Cardoso, gestor da Evergreen Investimentos, a Bovespa tem muitas opções de papéis que negociam abaixo do valor patrimonial. “Também somos a maior bolsa da América Latina e oferecemos liquidez aos investidores, que podem entrar e sair com mais facilidade”, afirma. “Aguentamos mais esse volume extra de dinheiro.”

O sócio da consultoria Proxycon e presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais em São Paulo (Apimec-SP), Reginaldo Alexandre, lembra que os mercados mundiais “precificaram o fim do mundo” no que diz respeito a risco anteriormente. Agora, de alguma maneira, a situação está melhorando. “Os países em crise estão fazendo ajustes”, diz.

As medidas de estímulo anunciadas pelo governo brasileiro servem aos dois lados da moeda. O ruído do risco regulatório afugenta uma parte dos investidores. No entanto, pelo menos para os especialistas brasileiros, a avaliação das últimas medidas é mais positiva que negativa. “As divulgações deveriam ser mais coordenadas e trazer mais detalhes, mas, apesar do desconto nas ações de energia elétrica, o pacote para o setor acaba sendo positivo para toda a economia”, afirma Cardoso, da Evergreen.

 

Valor Econômico de 24.9.2012. 

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