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Energia eólica é alvo de investimentos crescentes

Desde 2009, quando o governo federal realizou o primeiro leilão do Brasil para a compra de energia eólica, os investimentos para produzir eletricidade a partir da força dos ventos deslancharam no Nordeste. Até 2017, a região já tem garantidos mais de R$ 37 bilhões para a construção de parques eólicos. Esse número deve aumentar até o final do ano.

Mais dois leilões de energia serão realizados ainda em 2013 – num deles, previsto para dezembro, o número de projetos inscritos bateu recorde. Dos 670 parques eólicos cadastrados para participar da disputa, mais de 500 ficam no Nordeste e possuem uma capacidade de geração de energia de 12,6 gigawatts, equivalente a 77% do potencial total inscrito no leilão.

“O Rio Grande do Norte, a Bahia e o Ceará sempre foram os maiores players desse mercado no Nordeste, região que puxou o desenvolvimento da energia eólica no Brasil”, afirma Elbia Melo, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Estudos do início da década passada sugeriam que o potencial eólico brasileiro ultrapassava 140 gigawatts de energia, sendo 70% disso localizado em solo nordestino.

Estimativas mais recentes, que levam em conta os equipamentos mais modernos existentes hoje para a captação dos ventos, indicam que o potencial eólico brasileiro pode ultrapassar 300 gigawatts – quase três vezes a capacidade instalada total de geração de eletricidade do país atualmente. “A evolução tecnológica da indústria eólica, com torres cada vez mais altas e geradores mais potentes, fez aparecer potencial de geração até no interior de Pernambuco, Piauí e Maranhão”, diz Elbia.

Nos próximos dez anos, a matriz eólica deverá responder por 9,5% da capacidade instalada de geração elétrica do Brasil, contra 1,5% atualmente. Bom para os nordestinos. “Durante a fase de construção de um parque são empregadas de 1.000 a 1.500 pessoas. Os mais de 90 parques contratados no Estado representam uma injeção de mais de R$ 11 bilhões por aqui”, afirma Rogério Marinho, secretário de desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte. Nada mal para um Estado com Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 32 bilhões.

O território potiguar é onde mais se explora a energia eólica no Nordeste. Entre parques contratados, em construção e em operação, o Rio Grande do Norte soma 3 gigawatts de potência, mais de um terço da produção eólica da região. Localmente, a relevância da energia dos ventos é ainda mais surpreendente: 43% da capacidade instalada do Estado tem origem na matriz eólica. É tanto que o Estado recebeu o apelido de “pré-sal dos ventos”. “Temos só 1% do território nacional, mas esse pedacinho é considerado um dos três melhores lugares do mundo para produzir energia eólica, junto com territórios da Venezuela e da Etiópia”, afirma Marinho.

É no Rio Grande do Norte que fica Parazinho, uma cidade de 5.000 habitantes que ganhou notoriedade por ser o município brasileiro com a maior capacidade instalada de geração de energia eólica. Empresas como a CPFL, a Energisa e a Contour Global do Brasil instalaram 16 parques no lugarejo. O problema é que Parazinho vive uma situação tão pitoresca quanto a região formada pelas cidades de Caetité, Guanambi e Igaporã, no Sudoeste da Bahia, onde a Renova Energia instalou o maior complexo eólico do país. Nos dois casos, os parques estão prontos para começar a produzir energia, mas as linhas de transmissão que vão despejar essa eletricidade nas redes de abastecimento ainda não. A entrega das linhas está 18 meses atrasada, em média.

As estimativas da Abeeólica são de que pouco mais de 670 megawatts de capacidade instalada de geração eólica estejam parados no Nordeste atualmente, por causa do atraso na entrega das linhas de transmissão. Mas para Elbia, esse gargalo está prestes a ser superado. “A maior parte das linhas de transmissão será entregue até o primeiro semestre de 2014”, afirma.

Fonte: Valor Econômico de 12.11.2013.

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