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Empresas de jogos ‘fogem’ do Facebook

Custos da parceria com a rede social são altos e podem consumir até 50% da receita

LOS ANGELES – Tom Byron costumava passar algumas horas por dia jogando no Facebook, participando dos seus jantares virtuais no Restaurant City e travando uma guerra em Empires & Allies. “Jogava sempre que tinha chance”, disse o executivo de marketing de 50 anos, de San Rafael, Califórnia. “Agora, jogo no meu iPhone. É mais conveniente para mim.”

Não são apenas pessoas como Byron que debandaram do Facebook. As desenvolvedoras de jogos também migraram para outras plataformas, como o iOs, da Apple, e o Androide, do Google, em parte porque ficou muito caro fazer negócios no Facebook.

A Zynga Inc, por exemplo, a maior desenvolvedora de jogos sociais do Facebook, declarou em julho que o declínio observado nas suas finanças se deve a um ambiente “difícil” na rede.

Embora o Facebook seja a maior rede social do mundo, ele ainda precisa de conteúdo para manter seus 900 milhões de usuários envolvidos no site. Como resultado, um êxodo de desenvolvedoras de jogos será desastroso para a companhia.

“O Facebook ainda é uma plataforma viável para desenvolvedores independentes que querem lucrar com um jogo”, disse Mitch Lasky, investidor de risco na Benchmark Capital, empresa especializada em empresas de games. “Mas as empresas que aspiram se tornar grandes editoras de jogos – como Kabam, Kixeye e até Zynga – estão saindo da plataforma do Facebook para aparelhos móveis e a internet aberta. As editoras não estão convencidas de que os custos do Facebook valem a pena.”

Editoras de jogos

Uma dessas empresas é a CrowdStar, desenvolvedora de jogos sociais do Vale do Silício cujos títulos figuravam predominantemente na rede social. Entre 2010 e 2011, a CrowdStar lançou jogos para o iPhone e iPad. Desde então, a parcela de receitas da companhia oriundas do Facebook caiu de 90% para 50%. A expectativa é que somente 10% do faturamento tenha origem no Facebook este ano. O restante virá dos usuários que jogam em smartphones e tablets.

Mitch Lasky diz que desenvolvedoras como a CrowdStar estão se desligando por causa do alto custo de conquistar novos jogadores por meio da publicidade no Facebook. Além dessa despesa, o Facebook cobra 30% de comissão sobre a receita gerada no seu site. Isso pode consumir até metade do faturamento na rede social.

Negociações

No entanto, o jogo não acabou para o Facebook. Nos últimos meses, a empresa vem trabalhando para atender às queixas de desenvolvedoras e jogadores, temendo perder a principal mola propulsora de sua popularidade. “Os jogos são historicamente nossa maior categoria (de aplicativos)”, afirmou Sean Ryan, diretor da área de parcerias de jogos. “Foi a primeira a decolar no Facebook”.

Impulsionado pela popularidade de Mob Wars e Scrabulous, o site começou a atrair desenvolvedoras de jogos independentes em 2007. Uma delas é a Zynga, cujo forte crescimento nos cinco anos seguintes foi análogo ao do Facebook. Por meio de um acordo firmado em 2010, a Zynga paga ao Facebook 30% da receita gerada na rede social com a venda de itens virtuais para seus jogos.

O acordo beneficiou ambos os lados. No ano passado, a empresa pagou ao Facebook US$ 444 milhões, 30% da receita obtida, contribuindo com 12% da receita anual do Facebook. Ao mesmo tempo, os jogadores no Facebook representaram 90% das vendas da Zynga.

A companhia tornou-se a maior desenvolvedora de jogos no Facebook e, regularmente, quatro dos cinco principais jogos na plataforma são dela. O número mensal de jogadores, que no ano passado era de mais de 200 milhões, rotineiramente é de quatro a cinco vezes maior do que o concorrente mais próximo. Mas a sua predominância avassaladora desencorajou desenvolvedoras de menor porte, que acham ser impossível competir com a máquina de marketing da empresa. “A Zynga sempre vai gastar mais do que você”, disse Relan.

Até recentemente, o Facebook manteve uma política de não intervir em relação aos seus aplicativos. Isso mudou depois de a Zynga anunciar, em março de 2011, que lançaria a sua própria plataforma, Zynga.com.

Embora a desenvolvedora continue a pagar ao Facebook 30% das suas vendas, esse acordo terá de ser renegociado em 2015.

Isso significa que o Facebook precisa trabalhar para conquistar outras desenvolvedoras de jogos, e muitas delas, como a CrowdStar, já começam a deixar a rede social, à medida que o custo de tirar jogadores da Zynga ficou proibitivo.

“Cada vez que os custos de marketing sobem, um outro grupo de desenvolvedores novatos quebra”, disse Brandon Barber, vice-presidente sênior da área de marketing da empresa Kixeye. “O Facebook está consciente disso agora.”

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