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Empresas com baixa liquidez se destacam em meio à crise

Gazeta Mercantil

Empresas com baixa liquidez se destacam em meio à crise

Enquanto a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou inexpressiva valorização de 1,77% no primeiro semestre deste ano, com a crise no mercado de crédito internacional, alguns papéis de baixa liquidez se descolaram da instabilidade do mercado de capitais e apresentaram forte valorização no período.

É o caso das ações da Companhia de Ferro Ligas da Bahia (Ferbasa), que apresentou valorização de 192,2% no primeiro semestre, a maior valorização da bolsa no período entre as companhias que registraram negócios em pelo menos 90% dos pregões e apresentaram volume superior a R$ 150 milhões, segundo a consultoria Economática. A empresa atua na produção de ferro-cromo, utilizado na fabricação do aço inoxidável, e de ferro-silício, que tiveram ambos os preços elevados no mercado internacional.

O reajuste no preço do ferro-cromo, que mais que dobrou no mercado internacional no semestre, contribuiu para impulsionar o lucro da companhia que apresentou crescimento de 287% no período, para R$ 40,8 milhões. “Apesar de fornecer basicamente para o mercado interno, o preço dos produtos da Ferbasa tem acompanhado o mercado internacional e impulsionado os resultados da empresa. Além disso, a companhia está passando por um processo de reestruturação, investindo na melhoria da gestão e na adoção de maior transparência com o mercado”, afirma Mário Fleck, gestor do fundo RB Fundamental, da Rio Bravo Investimentos.

O fundo, que investiu na empresa há dois anos, participa dos Conselhos Fiscal e de Administração, sendo este último assento ocupado por Fleck, que representa um grupo de acionistas minoritários. A forte valorização da Ferbasa e de outras companhias em carteira como a Fosfértil, ajudou o fundo RB Fundamental a alcançar valorização de 22,93% no primeiro semestre.

Fleck destaca que as empresas de maior porte, que têm maior participação de investidores estrangeiros, estão mais vulneráveis à movimentação do mercado do que as companhias de baixa liquidez, com presença maior de investidores institucionais, que têm perfil de investimento de longo prazo. “Nossa prioridade não é a dinâmica do mercado, mas sim os fundamentos da companhia”, afirma Fleck.

Fundos
Os fundos Sinergia III e Sinergia IV , da Fator Administração de Recursos, também foram beneficiados com a alta das ações da Ferbasa e da Fosfértil, e apresentam valorização de 15,22% e 36,77%, respectivamente, no primeiro semestre deste ano.

Para o diretor da gestora, Fernando Tendolini, os preços do ferro-cromo devem continuar em alta enquanto a África do Sul, maior fornecedora da matéria-prima, não resolver o problema de energia elétrica que tem impactado a sua produção.

A valorização de 56,2% dos papéis da Fosfértil no primeiro semestre também contribuiu para o bom retorno dos fundos.

A empresa, que atua como fornecedora de matéria-prima para a indústria de fertilizantes e de insumos para as empresas químicas, registrou lucro líquido de R$ 128,4 milhões no primeiro trimestre deste ano, resultado 155,3% superior aos R$ 50,3 milhões apurados no primeiro trimestre do ano passado. Segundo Fleck, o preço dos fertilizantes tem subido acompanhando o aumento da demanda mundial por alimentos e da produção de biocombustíveis. “Hoje, o Brasil ainda importa fertilizantes e a demanda ainda está muito forte.”

Outra companhia não listada nos níveis de governança da Bovespa que se destacou no período foi a Bardella. A empresa, que faz parte da carteira de investimento do fundo Sinergia IV, segundo Tendolini, tem apresentado bons resultados com o crescimento das encomendas de equipamentos para o setor de energia.

“O aumento dos investimentos em infra-estrutura devem impulsionar os resultados da empresa”, diz.
O bom desempenho dos fundos da Fator, segundo Tendolini, deve-se ao fato de eles serem fechados para resgate com o objetivo de evitar grandes saques nos momentos de turbulência e proteger os demais cotistas. O fundo Sinergia IV, aberto para captação, é voltado para investidores qualificados, com aplicação mínima de R$ 300 mil, e exige prazo médio de permanência dos cotistas no fundo de sete anos.

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