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Empresas aceleram captações locais antes de eleição e Copa

As empresas brasileiras pretendem aproveitar a recente melhora nas condições de mercado e a breve janela nos três meses que antecedem a Copa do Mundo para acelerar os processos de captação de recursos com títulos de dívida, como debêntures. A estimativa de fontes de mercado é que até R$ 11 bilhões em emissões ocorram nos próximos meses.

Apenas as operações já confirmadas somam R$ 4,6 bilhões, de nomes como a fabricante de cosméticos Natura e a seguradora SulAmérica. Na fila estão também a usina Santo Antônio Energia e a GRU, concessionária do aeroporto de Guarulhos, que preparam emissões de debêntures de infraestrutura, com isenção de imposto de renda para investidores estrangeiros e pessoas físicas.

As emissões devem ocorrer depois de um início de ano considerado fraco. Em janeiro e fevereiro, as ofertas de debêntures somaram R$ 2,2 bilhões, uma queda de 39% em relação ao mesmo período de 2013, de acordo com a Anbima, associação que reúne as instituições que atuam no mercado de capitais. O destaque praticamente isolado foi a captação de R$ 1 bilhão da mineradora Vale.

As captações locais de renda fixa como um todo ficaram estáveis, mas graças a uma única operação: a emissão de R$ 2,2 bilhões em notas promissórias da Cromossomo Participações, do empresário Edson Bueno, para financiar a compra do controle da rede de laboratórios Dasa.

Depois da forte alta nas taxas de juros ao longo de 2013, as condições atuais relativamente mais estáveis devem estimular as empresas a buscar recursos no mercado de capitais, segundo Felipe Wilberg, responsável pela área de mercado de capitais de dívida do Itaú BBA. “A janela de abril e maio deve ser a melhor neste ano para as captações.”

O fator calendário contribui para acelerar os processos. Primeiro, porque o cronograma para quem deseja levantar recursos usando os dados do balanço do quarto trimestre é relativamente curto. O período de divulgação de resultados dos três primeiros meses de 2014 se concentra na segunda semana de maio, e as empresas só podem fechar captações até 15 dias antes da publicação dos números.

A expectativa é que as companhias também se antecipem ao período da Copa do Mundo, que começa em 12 de junho. “Não só a atenção dos investidores para as operações será menor como a logística que envolve a realização das ofertas deve ser prejudicada”, afirma o executivo do Itaú BBA. A tendência é que apenas operações restritas, destinadas a um pequeno número de investidores qualificados, saiam na época da Copa.

O calendário para a realização de ofertas também ficou mais curto em razão das eleições em outubro. A tendência é que as companhias evitem ir a mercado nesse período, a menos que a situação esteja definida e haja uma sinalização mais clara sobre os rumos da economia a partir de 2015.

“Embora o cenário pareça definido, é capaz de haver alguma volatilidade no período entre a Copa e a eleição”, afirma Marcio Guedes, diretor da Anbima. Diante da maior incerteza à frente e do quadro atual mais estável no mercado de renda fixa, é natural que as companhias trabalhem para antecipar as captações, segundo o executivo.

A alta nos juros levou a um ajuste nas taxas pagas pelas empresas nas emissões de debêntures, que ficaram mais atrativas para os investidores, diz Ignacio Lorenzo, superintendente-executivo do Santander. “Existe apetite do mercado para pôr o dinheiro para trabalhar”, afirma. Mas, com o grande número de ofertas previstas para o curto prazo, os investidores devem se manter mais seletivos, segundo Lorenzo.

Os grandes investidores institucionais, como fundos de investimento e de pensão, são os principais compradores de debêntures. Nas emissões destinadas a financiar projetos de infraestrutura, o foco se concentra nas pessoas físicas, em razão da isenção fiscal. Foi o que ocorreu na oferta da Vale, que contou com a participação de mais de 3 mil investidores.

As debêntures incentivadas devem ser um dos destaques ao longo deste ano, afirma o advogado Ricardo Simões Russo, sócio do Pinheiro Neto Advogados. O escritório trabalha atualmente em quatro emissões de infraestrutura, uma delas de grande porte. “Serão operações de projetos muito sólidos ou que contam com sócios fortes”, diz.

As captações com títulos de infraestrutura são uma das apostas do governo para ampliar as fontes de financiamento de longo prazo na economia brasileira. A expectativa é que a oferta da Vale anime outras empresas de grande porte a se valer do instrumento. A operação mais esperada é a da Petrobras, que sozinha pode movimentar pelo menos R$ 3 bilhões.

Um dos desafios é atrair o capital externo para as debêntures de infraestrutura. A principal concorrência vem do próprio governo, já que os títulos públicos também oferecem isenção fiscal para o investidor estrangeiro e contam com maior liquidez.

 

Fonte: Valor Econômico de 13.3.2014.

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