Felsberg Advogados
Home | Empregados da Webjet vivem pesadelo
Publicações

Empregados da Webjet vivem pesadelo

950 pessoas foram demitidas na semana passada e outras 150 aguardam definição

O Estado de São Paulo

imagesDesde que as atividades da Webjet foram encerradas, em novembro do ano passado, os funcionários da companhia aérea vivem um drama. Na semana passada, a Gol (dona da Webjet desde 2011) demitiu 950 trabalhadores da empresa, contrariando uma liminar expedida pela Justiça do Trabalho. Outras 150 pessoas ainda aguardam com apreensão as definições da empresa.

Demitidos, mas sem acesso à documentação, os ex-funcionários da Webjet enfrentam um dilema em relação ao futuro profissional. “Estamos aguardando uma definição judicial. A carteira de trabalho está retida, a habilitação vencida, minhas licenças atrasadas. Em duas empresas não fui aceito por conta disso”, afirma o comandante André Cerqueira.

A situação se repete entre os aeroviários, funcionários de apoio que atuam em solo. “Existem muitas irregularidades. É uma situação de muita tensão para o trabalhador”, avalia a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino.

Quem está com a documentação em dia também encontra um mercado de trabalho restrito. Elton Fernandes, professor da UFRJ, afirma que as empresas demitem em função de limitação de infraestrutura para ampliação da malha aeroviária.

“Não podemos esperar dois ou três anos para o mercado aquecer novamente. Então, vamos a outro país”, planeja Cerqueira. Segundo ele, os mercados em expansão estão na Ásia e na África.

A Gol alega que realizou duas rodadas de negociação com os sindicatos, o que é negado pelos representantes. “É uma afronta à Justiça brasileira”, diz o diretor jurídico do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Marcelo Bona.

O último dia. Ao mesmo tempo que buscam resolver problemas burocráticos em relação às demissões, os funcionários ainda tentam digerir o rumo que a Webjet tomou sob o comando da Gol e o seu fim, no dia 23 de novembro do ano passado. Naquele dia, quando a empresa encerrou oficialmente as operações, o comandante Rubens Lima lembra ter chegado cedo ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, de onde seguiria em um voo para Fortaleza – como fazia há quatro anos, rotineiramente, na Webjet.

“Me apresentei fardado, com o crachá e, quando cheguei, não tinha ninguém. Liguei e me perguntaram ‘você não soube? A empresa fechou'”, conta o comandante. “Só quem passou por isso sabe como é.”

O comandante Igor Bondarczuk, de 40 anos, que iniciou sua carreira na aviação civil na Webjet, também demorou a tomar consciência de que a empresa realmente deixaria de existir. “Acreditamos até o último dia. Tivemos reuniões com o vice-presidente da Gol em que ele garantia que a maior parte dos funcionários seria mantida. Na manhã seguinte, as cartas de demissão estavam na mesa”, conta.

Quando deixou de operar em novembro, a Webjet já era bem diferente da empresa que Bondarczuk conheceu ao ser contratado em 2007. “Era o boom da empresa. Em dois anos, já era comandante, algo que em outros lugares levaria 15 anos para acontecer.”

Para funcionários como José Aizenberg, de 68 anos, tem sido ainda mais difícil lidar com o fim da Webjet. Ele foi o primeiro comandante a ser contratado pela empresa em 2004. “A Webjet não tinha sequer um avião”, lembra. Na época, eram apenas cem funcionários, muitos oriundos da Varig. “Nós vimos a empresa como uma oportunidade de recomeço. Vestimos a camisa, nos dedicamos como se fosse a última boia de salvação”, relembra.

Princípio do fim. Em 2011, o controle da Webjet foi adquirido pela Gol por R$ 47 milhões, além dos passivos acumulados. A promessa, à época, era de continuidade das operações para segmentos diferentes. Mas, um ano depois, a empresa fechou.

Para o professor Elton Fernandes, da UFRJ, a estratégia de anular um concorrente é comum no setor aéreo. “Empresas ocupam um espaço e acabam sendo absorvidas por aquelas que têm maior força econômica para fazer frente aos momentos de prejuízo. O movimento do setor aéreo é mais de consolidação e não de pulverização da oferta”, explica Fernandes. “Era previsível que isso ocorresse com a Webjet.”

Topo Voltar