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Dúvida sobre juro vai exigir mais 'suor' dos multimercados

Por Luciana Seabra e Karla Spotorno

Eles não foram tão longe quanto os fundos renda fixa índices neste ano, mas também não mergulharam tão fundo quanto a maior parte das carteiras de ações. Com uma rentabilidade distante dos extremos de outras categorias, os multimercados não têm dado sustos aos investidores em 2012. Em uma trajetória tranquila, com raras semanas no vermelho, os fundos do tipo macro – que apostam em uma tendência para os ativos – bateram mês a mês o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), referência para aplicações conservadoras. Superaram também o Ibovespa em quatro dos últimos sete meses. Daqui para frente, entretanto, pode ser mais difícil manter uma média tão elevada.

No ano, até 17 de agosto, os multimercados macro ocupam a quarta posição em retorno, atrás de duas categorias de fundos ações (dividendos e sustentabilidade e governança) e dos renda fixa índices. Rendem, no período, 11,88%, mais que o dobro dos 5,71% do CDI e dos 4,10% do Ibovespa, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Grande parte dos ganhos dos multimercados macro em 2012 foi obtida com a trajetória anunciada de queda dos juros básicos. Assim que perceberam a tendência, os gestores se armaram de NTN-Bs. Com o declínio dos juros, a parte prefixada desses papéis se tornou disputada, valorizando os títulos. Em 31 de julho, segundo a Anbima, 73% dos ativos aplicados pelos multimercados no mercado à vista estavam alocados em títulos públicos, com predomínio de NTN-Bs.

Ocorre que os juros chegaram a uma mínima histórica, de 8%, e cada vez há menos gordura a cortar. Para os especialistas consultados pelo Valor haverá um novo corte  na semana que vem, mas a partir daí o cenário é mais nebuloso. Na busca por outras oportunidades, não mais tão claras, os gestores tendem a se diferenciar nos resultados, considera Ulisses Nehmi, diretor da gestora Sparta. Os acertos de uns e os erros de outros devem resultar em uma média mais baixa. E a trajetória não deve ser mais tão confortável. “O que fica claro é que quem não tomar risco tem mais chance de perder”, diz Nehmi.

É hora de apelar para o trunfo dos multimercados: a possibilidade de investir em diferentes ativos. “Normalmente o que vem em sequência a um movimento muito forte de queda dos juros são oportunidades de maior risco”, afirma Nehmi. Na bolsa, entretanto, elas não são óbvias. Entre as promessas, para ele, estão as boas pagadoras de dividendos e as empresas que se beneficiam de juros mais baixos por sua necessidade de endividamento. Ele cita shopping centers e locadoras de automóveis.

Também há oportunidades no câmbio, diz Nehmi. A mudança da dinâmica de juros no país, para patamares mais baixos, pode afastar o investidor estrangeiro e levar a uma valorização da moeda americana, considera. O investidor que apostar no movimento pode ganhar com ele.

O diretor da Sparta enxerga ainda oportunidades em commodities. O fundo multiestratégia da casa tem ganhado com apostas na queda do açúcar e na alta da soja. Com ainda mais flexibilidade para se movimentar entre os mercados, os multiestratégia têm o melhor desempenho entre os multimercados em agosto, de 0,87%. No ano, ficam atrás somente dos tipo macro, com 9,94%.

Também para Sandra Blanco, consultora de investimentos da Órama, os multimercados vão encontrar oportunidades no câmbio e na bolsa. “O cenário externo continua com eventos e incertezas. Nesse sentido, as estratégias com cestas de moedas, que já vêm sendo feitas por alguns gestores, poderão continuar interessantes”, afirma a consultora, otimista com relação ao desempenho dos fundos multimercados nesse segundo semestre.

Para Sandra, também é hora de atentar para a inflação. “Os preços estavam convergindo para o centro da meta, mas alguns fatores, como a alta das commodities, sinalizam uma mudança de rumos”, diz. Uma aceleração de preços, considera, poderá afetar a trajetória dos juros no futuro. Para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na semana que vem, a expectativa ainda é de corte nos juros. Mas, com o despertar da inflação, a possibilidade de alta em 2013 está no radar.

Valor Econômico de 23.8.2012.

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