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Dica quente para investir em 2014: não persiga 2013

Neste ano, o mercado de ações [nos EUA] brilhou tão intensamente quanto os artefatos luminosos que enfeitam o cenário durante o período de Festas. Mas se você quiser que os investimentos continuem indo bem em 2014, não se concentre na sedução do que brilha. Se os vencedores em 2013 seguirem os padrões históricos, não sustentarão seus desempenhos superiores ao do mercado no ano que vem.

Considere o desempenho mais estelar de 2012. Com a recuperação do setor habitacional, o investimento ideal em 2012 era o iShares EUA Home Construction ETF. Ele liderou a turba com um retorno de quase 80% no ano, quando empresas como a Pulte Group Inc, Lennar Corp e DR Horton Inc recuperaram o tempo e muito dinheiro perdido na crise do mercado habitacional. Neste ano, o mercado imobiliário ficou ainda mais aquecido do que em 2012, mas os investidores no ETF iShares não compartilharam a riqueza.

O dinheiro especulativo institucional tinha migrado para outros setores e o fundo proporcionou um retorno de 11% aos investidores até 20 de dezembro – menos de um terço do retorno de 36% que os investidores em ações cíclicas de consumo auferiram, de acordo com a Morningstar.

Não são apenas os fundos setoriais que não conseguem dar sequência a ótimos anos com mais anos excelentes. Examinemos um país inteiro: O EGShares India ETF Consumer representa uma fatia do segundo país mais populoso do planeta e um contingente que está tendendo a formar uma classe média sólida. No ano passado, o fundo cresceu quase 52%, o que o coloca no escalão superior de todos os ETFs (fundos negociados em bolsa). No ano passado, no entanto, esse fundo teve uma queda de quase 10% até 20 de dezembro.

Há exceções, a regra geral é que a repetição de desempenho é um animal elusivo. Não se pode esperar que um fundo repita de forma consistente seu melhor ano: trata-se de um “cisne negro” estatístico. Um dos melhores referenciais para o desempenho de fundos é o índice Persistence Scorecard, da S&P Dow Jones, que a McGraw-Hill Financial publica duas vezes por ano após pesquisar dados ao longo de vários períodos anuais. Até setembro, constatou que apenas 19% dos fundos de grandes firmas, 20% dos fundos de firmas de médio porte e 27% dos fundos de companhias de pequena capitalização conseguiram manter-se na metade superior de desempenho ao longo de três períodos seguidos de três anos. Isso significa que até 80% de fundos de melhor desempenho não conseguiram repetir seus grandes retornos.

Ao longo de um meia década – cinco períodos anuais seguidos – o “déficit de persistência” é ainda pior: apenas cerca de 8% dos fundos de grande capitalização, menos de 1% dos de média capitalização e cerca de 10% dos de pequena capitalização compareceram repetidamente às primeiras posições.

Mesmo se você comprasse e mantivesse sua participação nos fundos de melhor desempenho ao longo de cinco anos, é extremamente improvável que eles fossem novamente vencedores. É o equivalente a jogar o mesmo número “vencedor” numa roleta. A não que sorte ou acaso venham em sua ajuda, você vai sair perdendo.

Como evitar ficar correndo atrás de desempenho? Comprando fundos de índices para assegurar uma exposição a grandes cestas de ações e de títulos, em vez de fazer apostas mais focadas. Um fundo como o iShares Core S&P Total US Stock Market ETF representa cerca de 1,5 mil ações. Ele registra valorização de quase 30% no ano até 20 de dezembro e alcançou uma média de 18% nos últimos cinco anos.

Isso supera tranquilamente os atuais retornos dos dois dos fundos de melhor desempenho no ano passado e só cobra 0,07% ao ano como taxa de administração. Para assimilar o conceito de exposição sistemática de longo prazo ao mercado, tendo em mente que mesmo assim poderá ficar no vermelho em alguns anos, você terá de aceitar ser quase impossível adivinhar quais ações e setores terão um desempenho superior ao do mercado num ano qualquer. Essa não é uma aposta de fé, é uma aposta de ego. (Tradução Sergio Blum)

John Wasik é colunista da Reuters e as opiniões expressas nesta análise correspondem à visão do autor e não as da Reuters ou do Valor Econômico.

Fonte: Valor Econômico de 2.1.2014.

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