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Demissões podem se ampliar nas elétricas

O Estado de São Paulo

Para integrantes do governo, empresas terão de se adaptar à realidade de custos

BRASÍLIA – As demissões para cortar custos nas companhias energéticas podem se ampliar, admitiram nessa terça-feira, 18, as principais autoridades do governo na área. Na segunda-feira, a estatal Furnas anunciou planos de cortar 35% da folha de pessoal.

Com o pacote de medidas para a redução do preço da eletricidade anunciado pela presidente Dilma Rousseff na semana passada, as empresas terão uma perda significativa de receitas já em 2013, por isso algumas já iniciaram programas de ajuste e outras poderão fazer o mesmo.

“As companhias agora precisarão se adaptar a uma nova realidade e é natural que haja adequação entre as receitas e as despesas. E esse corte de custos pode acontecer em pessoal ou em outras áreas. Isso é natural”, afirmou hoje o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner. Para ele, as demissões podem se tornar uma tendência daqui para frente.

Na semana passada, a AES Eletropaulo informou a demissão de cerca de 150 funcionários nos último 30 dias. Neste caso, no entanto, a concessionária afirmou que os ajustes são decorrentes do processo de revisão tarifária da Aneel, que resultou em redução da tarifa de energia.

Tendência natural

Ciente das consequências das medidas audaciosas que devem reduzir em 16,2% o preço da energia para os consumidores e em até 28% para a indústria, a própria presidente Dilma consideraria natural esse movimento, segundo informam interlocutores. Os ajustes de Furnas são encarados como parte de um programa bem maior de reestruturação da companhia.

Menos enfático que Hubner, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, também reconheceu que o setor elétrico terá de se ajustar ao novo cenário de menores tarifas. Considerou, porém, que é cedo para que se façam avaliações sobre a continuidade das demissões.

“As empresas terão de ajustar as despesas e contas à nova ordem, às circunstâncias novas que surgiram. Elas terão de eleger suas prioridades ao efeito da redução de custos e se adaptar a isso. Cada qual saberá o que fazer”, disse o ministro. “Ainda estamos na madrugada do anúncio das medidas. Isso vai ocorrer em 5 de fevereiro do próximo ano. Até lá, temos alguns meses.”

O ministro garantiu ainda que as companhias ligadas à Eletrobrás só demitirão se forem autorizadas pela sua pasta. “Nós estamos na esperança de que isso possa se resolver sem alteração profunda de pessoal”, acrescentou, lembrando que as empresas do sistema Eletrobrás costumam pagar salários mais elevados e oferecer vantagens aos funcionários. “Isso será avaliado cautelosamente porque a tradição do governo e suas preocupações são sempre no sentido de preservar os empregos no País.”

A preservação dos empregos e da renda dos brasileiros tem sido a principal justificativa de Dilma para as medidas adotadas pelo governo na área econômica. É o caso, por exemplo, da desoneração da folha salarial, do programa de compras de equipamentos por parte do governo e das concessões em infraestrutura.

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