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Degradados, pontos de ônibus vão ficar high-tech

Serão instalados 6,5 mil abrigos e 14 mil totens, com dados de espera e iluminação, no início de 2013 em SP; troca é parte da Lei Cidade Limpa

ADRIANA FERRAZ , ARTUR RODRIGUES – O Estado de S.Paulo

A partir do começo de 2013, São Paulo vai ganhar 6,5 mil abrigos e 14 mil totens de ônibus com estilo futurista, que vão mostrar o tempo de espera dos ônibus e terão iluminação. Enquanto os novos modelos não chegam, os passageiros têm de conviver com pontos pichados, escuros, sem proteção lateral e com coberturas danificadas.

A troca dos abrigos e totens faz parte da segunda fase do projeto Cidade Limpa. O consórcio que vencer a licitação deverá instalar os pontos e fazer a manutenção. Em troca, poderão explorar a publicidade nas paradas de ônibus.

O Estado teve acesso aos protótipos instalados no Pavilhão de Exposições do Anhembi. Em comum, as propostas apostam em transparências e espaços para anúncios iluminados.

 

O PraSP sugere até interação com o usuário

 

Além da informação sobre o tempo de espera dos ônibus e os bancos, é obrigatório que haja total acessibilidade, com piso tátil e informações em braile. Parecem ficção científica se comparados com os atuais 14 modelos na cidade. Alguns, de concreto, têm mais de 20 anos, e foram feitos na época da Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), extinta em 1995.

Os protótipos estão no Anhembi para que sejam analisados, hoje, pela comissão de licitação e pelo grupo técnico, formado por arquitetos da Prefeitura.

Os consórcios que disputam o monopólio de 25 anos da publicidade nos abrigos são o Pra SP, formado pelas empresas Odebrecht, Kalítera e Rádio e Televisão Bandeirantes (MG), e o Os Abrigos de São Paulo, do grupo JCDecaux.

O consórcio Pra SP tem modelos desenhados pelo arquiteto Guto Índio da Costa. São cinco modelos, todos high-tech, com espaço para anúncio digital. Um deles tem até um grande painel com o qual os passageiros poderão interagir. Além disso, há uma versão sem banco, para calçadas mais estreitas. O grupo Os Abrigos de São Paulo apresentou dois modelos. Um foi desenhado pelo arquiteto Ruy Ohtake e o outro, por Carlos Bratke. Os dois apostam em formas leves e arredondadas.

Segundo o prefeito Gilberto Kassab (PSD), a cidade não gasta nada e ainda vai lucrar com o modelo. “Com aquela publicidade visual, a cidade arrecadava uma quantia insignificante, de 6 milhões por ano (cerca de R$ 15 milhões)”, lembrou o prefeito na semana passada, durante premiação da Lei Cidade Limpa por uma universidade alemã. “Com essa segunda fase e a publicidade sendo autorizada apenas em abrigos e relógios, vamos arrecadar em torno de 100 milhões por ano (R$ 264 milhões).”

A São Paulo Transportes (SPTrans), responsável pelo sistema de ônibus na cidade, deve escolher onde serão colocados os abrigos e os totens. Isso deve evitar que a empresa vencedora queira instalar abrigos somente nos locais onde os anúncios teriam maior visibilidade e valor de mercado.

Descuido. Hoje, a maior parte dos abrigos de ônibus existentes na capital é criticada por usuários do transporte público. Faltam manutenção, limpeza e, principalmente, um sistema de informação ao passageiro, que não sabe nem sequer qual linha faz os percursos.

Os pontos são ainda piores. Não há padrão de tamanho nem de cor e muitas vezes ficam escondidos pelos carros estacionados na via pública. “A gente fica um tempão esperando pelo ônibus sem ter um local apropriado para sentar, ou mesmo ficar protegida da chuva”, diz a vendedora Maria Aparecida da Silva, de 49 anos.

A situação é ruim em toda a cidade. Até corredores centrais enfrentam o problema, como as Avenidas do Estado, Sumaré, Doutor Arnaldo, Pacaembu e da Liberdade. “É difícil achar um ponto bem cuidado. Não basta consertar, a Prefeitura tem de evitar o vandalismo, que é o maior problema”, afirmou a vendedora Neusa Araújo, de 61 anos.

 

O JC Decaux tem modelos assinados por Ruy Ohtake e Carlos Bratke.

 

SPTrans é quem deve escolher onde serão colocados todos os abrigos e totens

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