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CVM discute comportamento do investidor

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estuda criar um comitê com cientistas, médicos, profissionais de educação e psicólogos para discutir questões de educação financeira, disse o presidente da autarquia, Leonardo Pereira. A ideia é ouvir essas pessoas para saber como o investidor toma as suas decisões e, a partir daí, traçar uma plano de ação, contou Pereira, durante seminário sobre finanças comportamentais ontem no Rio.

O presidente da CVM destacou que uma melhor compreensão do que influencia o comportamento do investidor se mostra fundamental para os reguladores do mercado de capitais. Para ele, passada a crise, a fase atual é de entender a importância do mercado de capitais para o desenvolvimento da economia, mas para tanto é preciso segurança nos mercados, que só virá com educação. Segundo Pereira, a CVM assume o compromisso de colocar esse tema na agenda do planejamento estratégico para os próximos dez anos.

Ontem, a CVM e o Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF) anunciaram um convênio para promoção da educação dos investidores, por meio de palestras, cursos e oficinas, com foco no planejamento financeiro. Luiz Sorge, diretor da Anbima e presidente do IBCPF, destacou a importância de trabalhar a educação não só do investidor, mas do agente que o auxilia no processo de investimento.

Pereira destacou ainda que, no âmbito da Iosco, entidade que reúne reguladores de mercado de diversos países, discute-se uma política global de educação, que deverá ser aplicada pelos participantes segundo a realidade de cada país.

Em apresentação no seminário, Mary Condon, vice-presidente da Ontario Security Commission (OSC), disse que nos mercados existem múltiplos comportamentos e faz parte dos estudos descobrir com qual deles é preciso se preocupar. Ela ressaltou que as pessoas de classe média estão cada vez com mais dinheiro para investir e, portanto, com maior acesso ao mercado. Por essa razão, também é sempre bom avaliar quem é o investidor que se deve proteger.

Só com investimentos contínuos em educação financeira e proteção ao investidor, na visão de Pereira, da CVM, é possível ter um resultado efetivo, independentemente de o mercado estar bom ou ruim. Ele não fez comentários sobre os episódios recentes envolvendo as empresas do grupo de Eike Batista. Afirmou apenas que os reguladores não devem olhar somente para casos isolados. “Em todos os mercados, há episódios bons e ruins. Os casos ruins existem para que possamos refletir, mas não desanimar.”

Pereira disse ainda, no seminário, que a CVM deverá iniciar discussões mais profundas sobre mudanças na Instrução 409, que regula os fundos. Entre os debates com a Anbima está a criação de fundos de baixo custo. Denise Pavarina, presidente da associação, disse que está em discussão a ampliação do acesso aos produtos, reduzindo burocracias. Outra pauta envolve alterações nos critérios para definição de investidores qualificados e superqualificados.

Fonte: Valor Econômico de 11.12.2013.

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