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Credores do Rede adiam assembleia para amanhã

A segunda assembleia de credores do Grupo Rede, realizada ontem em São Paulo, terminou sem que as partes chegassem a um acordo sobre o futuro da companhia. Uma nova reunião será realizada amanhã. Mas o clima ficou mais tenso entre o consórcio CPFL e Equatorial, os representantes do grupo Rede e a Energisa, que mais uma vez apresentou uma proposta em cima hora, na terça-feira à noite.

Os termos propostos pela companhia mineira só foram conhecidos ontem de manhã pelos credores. Durante a assembleia, o representante da Energisa prometeu mudar novamente a oferta, acatando “sugestões” dos credores, o que contribuiu para irritar ainda mais a CPFL e Equatorial.

O advogado que representa o consórcio, Eduardo Munhoz, afirmou que as duas empresas consideram estar sendo usadas e que ameaçam não manter a oferta. “Tudo tem limite”, disse Munhoz, acrescentando que a proposta será retirada da mesa de negociação se não for votada amanhã.

Segundo ele, a CPFL e Equatorial se recusam a entrar em um leilão. As empresas consideram ter o direito de que o plano de recuperação proposto por elas, e que já é conhecido há meses, seja votado isoladamente amanhã. Elas exigem que a proposta da Energisa só seja votada depois, caso os credores recusem a oferta do consórcio.

O advogado da Energisa, Flavio Galdino, afirmou que a empresa apresentará hoje, às 10 horas, para a Justiça, o plano de recuperação do grupo Rede com as mudanças que foram prometidas durante a assembleia. A medida atende às reclamações feitas pelo advogado do grupo Rede, Thomas Felsberg, que disse que as recuperandas não haviam recebido nenhum documento formal com as alterações anunciadas verbalmente.

Em sua proposta inicial, a Energisa considerava a concessão de um novo empréstimo, no valor de R$ 630 milhões, que viria do FI FGTS ou do BNDES, que são credores com garantias reais contra o grupo Rede. O aporte, bombardeado pelos concorrentes, virou o calcanhar de Aquiles na proposta da Energisa, que se viu forçada a desistir do empréstimo. A empresa alega ter meios de bancar o plano sem os recursos. Nem mesmo o representante do FI FGTS disse concordar com o novo financiamento. O fundo já acumula perdas severas com o grupo Rede.

Galdino disse que a Energisa tem todas as condições de produzir um documento com os compromissos assumidos na assembleia, conforme solicitado, mas deixou claro que considerava as exigências um ” formalismo” para desviar a atenção dos credores em relação à proposta.

Um dos credores ouvidos pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, afirmou que considera a proposta da Energisa mais vantajosa do que a da CPFL-Equatorial. Enquanto a primeira oferece um desconto nas dívidas de 75%, a segunda propõe um deságio de 85%. O advogado representa uma comercializadora de energia, para a qual o grupo Rede deve R$ 30 milhões. Os dez pontos percentuais a mais que a Energisa oferece pagar fazem muita diferença, afirmou. “Para as comercializadoras, o calote será doloroso”, disse Ruy de Mello Junqueira, que representa quatro empresas.

Valor Econômico de 4.7.2013.

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