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Credit Suisse reformula banco de investimento

Por Paul J Davies e James Shotter

O Credit Suisse vai desmembrar a divisão de banco de investimento fora da Suíça de sua divisão mundial de “private bank”, administração de grandes fortunas e de banco de investimento suíço, a fim de corresponder ao que qualificou de “a nova realidade regulatória”.

A medida ocorre após decisão de seu grande concorrente local, o UBS, de extinguir mais de 10 mil postos de trabalho, num momento em que a instituição se retira de setores que precisam ser ancorados por grande volume de capital – principalmente o de transações com bônus -, e centra seu foco na atividade principal, de administrar grandes fortunas.

O Credit Suisse adotou, até agora, um enfoque menos radical, ao optar por manter um banco de investimento de serviço completo, apesar de ter, por duas vezes neste ano, intensificado suas medidas de contenção de custos em toda a empresa. Brady Dougan, seu principal executivo, enfatizou que o banco de investimento continua decisivo para os negócios do Credit Suisse, mas admitiu que perderá parte de sua hegemonia no futuro. “Falávamos sobre uma divisão à base de 60 por 40 do capital entre a ponta de banco de investimento e a de “private banking”. Com o passar do tempo essa proporção se reduziu a uma divisão 50 a 50. Queremos reduzir os ativos ponderados por risco em mais 10% no banco de investimento, e o private bank vai crescer com o decorrer do tempo. O que vemos hoje é parte disso.”

Separar o banco de investimento mundial poderá ajudar o Credit Suisse a defender sua principal base de clientes, de pessoas físicas, na Suíça de qualquer ressurgimento no UBS, se a medida alcançar seu objetivo de proteger o banco local da volatilidade das bolsas internacionais e do financiamento corporativo.

No entanto, a medida pode dificultar a tarefa de operar na Ásia, já que a dominância dos empreendedores de primeira geração permite concluir que as atividades de banco de investimento e de “private banking” são muito mais interdependentes na região do que na Europa e nos Estados Unidos.

O Credit Suisse não anunciou qualquer fechamento maciço de postos de trabalho, mas disse que suas operações de gestão de ativos e de “private banking” serão fundidas. Esse processo, segundo Dougan, ajudará a reduzir ainda mais os custos, embora ele tenha preferido não informar que soma essa contenção poderá alcançar.

O banco aprofundou seu programa de redução de despesas em vigor, de 2 bilhões de francos suíços (US$ 2 bilhões), em julho e voltou a fazê-lo em outubro. Agora visa poupar 4 bilhões de francos suíços até o fim de 2015, metade dos quais já economizou.

Urs Rohner, presidente do conselho de administração, disse que o desmembramento reduzirá a complexidade da divisão. “A nova estrutura criará uma das principais divisões integradas de gestão de grandes fortunas do mundo e um dos primeiros bancos de investimento mundiais alinhados com a nova realidade regulatória.”

Hans-Ulrich Meister continuará a chefiar a divisão de “private banking” na Suíça, Europa e Ásia, além de todas as divisões que atendem clientes suíços. Robert Shafir comandará o “private banking” e a administração de grandes fortunas nas Américas. A divisão suíça de banco de investimento responderá ao conjunto dessas duas unidades.

Eric Varvel e Gael de Boissard ficarão encarregados da divisão de banco de investimento. Varvel vai chefiar o departamento de ações e de banco de investimento, ao mesmo tempo em que responderá pela Ásia; De Boissard estará à frente dos negócios de renda fixa, dirigirá a Europa e será nomeado para o conselho de administração. “Os órgãos reguladores buscam simplificação e alinhamento da entidade jurídica e das estruturas de direção, e essas providências nos propiciarão isso”, disse Dougan.

As ações do Credit Suisse fecharam ontem com queda de 1,72% na bolsa de Zurique, a 21,19 francos suíços.

Valor Econômico de 21.11.2012

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