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Contrato firmado com Furnas provoca queda nas ações

O mercado reagiu mal ontem ao anúncio feito pela CPFL Energia de renovação do contrato de fornecimento de 345,4 MW médios de energia da hidrelétrica de Serra da Mesa para Furnas, até 2028, por R$ 182,90/MWh. As ações da elétrica tiveram a segunda maior queda do Ibovespa no dia, de 1,86%, cotadas a R$ 19,51. Os investidores ficaram frustrados porque esperavam que a companhia incluísse a energia no leilão “A-0”, marcado para o fim do mês e cujo preço-teto é de R$ 271/MWh. Para especialistas do setor, porém, a CPFL fez um negócio vantajoso.

Segundo analistas financeiros especializados no setor elétrico ouvidos pelo Valor, a queda das ações refletiu uma frustração imediata dos investidores, porque a CPFL foi considerada a principal beneficiada com a aprovação, na terça-feira, do edital do leilão A-0, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com um preço-teto extremamente atraente. O leilão negociará contratos de fornecimento de energia entre maio de 2014 a dezembro de 2019.

O J.P. Morgan, porém, considerou o contrato com Furnas positivo para a CPFL e recomendou a compra de ações da empresa. “O declínio do preço das ações é uma oportunidade de compra. O preço deve se recuperar tão logo investidores e analistas façam seus cálculos”, afirmou o banco em relatório assinado por Marcos Severine e Henrique Peretti.

De acordo com os analistas, o valor presente líquido (VPL) do negócio firmado com Furnas é equivalente ao que seria obtido se a companhia incluísse a energia no leilão A-0 (entre 2014 e 2019) e negociasse o montante no mercado livre entre 2020 e 2028 ao preço de R$ 130/MWh. A diferença, porém, é que o contrato firmado com Furnas tem riscos muito mais baixos.

“Pensamos que o contrato é positivo para a CPFL, que seria equivalente a participação do leilão [A-0], mas é um contrato de maior prazo e com muito menos riscos, como a não exposição ao risco de racionamento e de déficits hidrológicos”, afirmam os analistas do J.P. Morgan.

No relatório, o banco comparou o preço do contrato firmado com Furnas com o preço spot (curto prazo) de energia nesta semana, de R$ 822,83/MWh, e com os preços negociados no mercado livre para contratos de seis anos de fornecimento com início hoje, da ordem de R$ 200/MWh. “Embora seja um menor valor de face, vemos o contrato como um movimento estratégico e bem sucedido pela CPFL Energia no ambiente atual do mercado de energia”, informou o banco.

Outro ponto levado em consideração pelo J.P. Morgan é que os preços dos contratos negociados nos leilões de energia são corrigidos pelo IPCA, enquanto o contrato com Furnas será corrigido pelo IGP-M. Historicamente, o IGP-M fica acima do IPCA.

Para o coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica (Gesel/UFRJ), professor Nivalde de Castro, o acordo está em linha com a estratégia do grupo CPFL de fechar contratos de mais longo prazo, que garantam estabilidade de receita.

Procurada pelo Valor, a CPFL não comentou os motivos que a levaram a renovar o contrato. Já Furnas garantiu que vai incluir a energia contratada da CPFL no leilão A-0. “Furnas considerou interessante o preço líquido [do contrato com a CPFL] de R$ 156,70/MWh”, informou em nota.

Fonte: Valor Econômico de 17.4.2014.

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