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Construtoras derrubam Ibovespa no primeiro pregão de 2014

O primeiro pregão de 2014 foi de queda expressiva, puxada por ações de construtoras e pela empresa de comércio eletrônico B2W, que deve deixar o Ibovespa na nova carteira, válida a partir de segunda-feira.

O índice caiu 2,26%, para 50.341 pontos, afetado por diversas notícias negativas. A primeira delas foi o índice dos Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da China medido pelo HSBC, que registrou em dezembro queda para 50,5, ante 50,8 em novembro. O número pressionou as bolsas nos Estados Unidos e na Europa, que também caíram num movimento de correção após fortes altas em 2013.

O quadro fez com que dólar e juros subissem, o que afetou as ações das construtoras. Segundo o estrategista da SLW Corretora, Pedro Galdi, a alta nos juros afeta diretamente o setor de construção, sensível ao aumento do custo de financiamento para a compra da casa própria. “O mercado está apostando na queda das construtoras e, com alta de juros, fica mais fácil vender”, acrescenta um operador.

Ele comenta ainda que subiu o aluguel dos papéis que mais caíram no Ibovespa, caso de B2W (-11,59%), Brookfield ON (-11,30%), Eletropaulo PN (-9,18%), Gafisa ON (-7,93%), MRV (-6,76%) e PDG Realty (-6,62%). Quando aluga uma ação, o investidor aposta na baixa do papel: depois de fazer o empréstimo, devolve o papel com uma cotação menor, embolsando a diferença.

Além disso, às 15 horas foi divulgada a balança comercial do Brasil, mostrando que o saldo de 2013, de US$ 2,561 bilhões, é o menor desde 2001, quando foi de US$ 2,684 bilhões. O número azedou ainda mais os negócios.

O Ibovespa teve apenas seis ações em alta. A maior foi de Embraer, que encerrou com ganho de 1,64%, depois de o jornal “O Estado de S. Paulo” informar que o Líbano estuda a compra de aviões Super Tucano da empresa brasileira. O segundo maior ganho foi de Suzano PNA (+1,62%). A empresa anunciou o início das operações de sua nova fábrica no Maranhão.

Entre as demais valorizações, segundo um operador, estiveram movimentações ligadas à nova carteira do Ibovespa. Itaú Unibanco (+0,60%) e AmBev ON (0,40%) estão entre os papéis que mais ganham peso no índice. B2W, que sai da carteira, liderou as baixas.

Galdi, da SLW, lembra que o volume financeiro menor, de R$ 5,5 bilhões, potencializou as variações. O diretor-técnico da Apogeo Investimentos, Paulo Bittencourt, acrescenta que “esses dois pregões são meio encaixotados, com muitos investidores viajando”, o que faz com que o início pra valer dos negócios em 2014 seja postergado para a segunda-feira.

Ele comenta também que, diferentemente do que ocorreu no começo de janeiro de 2013, quando a Bovespa aproveitou a alta de dezembro e os investidores compraram ações baseados num maior otimismo com a economia, 2014 começa com o pé no freio. Em janeiro do ano passado, o Ibovespa caiu 1,95%, mas chegou a subir 3,87% apenas nos dois primeiros pregões. “O investidor prefere entrar no ano mais cauteloso, de olho nos gastos do governo em período de Copa do Mundo e de eleições. A estratégia, desta vez, é esperar algum dado positivo para, apenas depois, comprar ações”, afirma. “Só mudou o calendário, mas a economia continua a mesma”, completa um operador.

Em relatório com perspectivas para janeiro, o BB Investimentos diz que o Ibovespa tem resistência em 52.500 pontos, 54.300 pontos e 56.700 pontos pela análise gráfica. Os suportes estão em 49.800 pontos, 49.500 pontos e 47.100 pontos. Na nota, os especialistas Nataniel Cezimbra e Hamilton Moreira Alves afirmam que os agentes vão monitorar a continuidade do avanço da economia americana e o desempenho da China. “A primeira reunião da nova presidente do Federal Reserve [Fed, o banco central americano], Janet Yellen, nos dias 28 e 29 de janeiro de 2014, também será atentamente acompanhada, assim como sua postura diante do mercado financeiro”, escrevem. No Brasil, segundo eles, o destaque do mês é a decisão sobre a taxa básica de juros (Selic), em 14 de janeiro.

Fonte: Valor Econômico de 3.1.2014.

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