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Construção civil ajuda segmento a faturar mais

Valor Econômico, Paulo Fortuna, 29/out

 

O crescimento da construção civil no Brasil tem sido um grande fator de impulso para a indústria do cobre. De acordo com o diretor executivo do Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não Ferrosos do Estado de São Paulo (Sindicel), Valdemir Romero, os produtos de cobre destinados à construção responderam por 37% dos US$ 8,6 bilhões do faturamento geral do setor em 2011. Os dados incluem itens como semimanufaturados e condutores elétricos de cobre.

Conforme o dirigente, o segmento ligado à construção deve fechar 2012 com crescimento maior do que a média geral do setor de cobre, que foi afetado pela desaceleração da economia e o aumento das importações de produtos com componentes de cobre, como eletroeletrônicos.

Enquanto o faturamento do setor como um todo deve ter crescimento ao redor de 2%, o segmento ligado à construção deverá fechar o ano com um aumento de 4%. No ano passado, a alta geral foi de 12%, enquanto o faturamento ligado ao setor construtivo subiu 5,2%.

Romero diz que, no segmento da construção, alguns resultados aparecem posteriormente ao início das obras, ou seja, o movimento do setor em 2011 pode se refletir ainda este ano. “Na parte predial, existe um delay em relação ao início da obra. Na fase final de acabamento é que os condutores elétricos serão instalados”, afirma.

O crescimento de empreendimentos que usam tubulações de cobre – em geral, com padrão de acabamento mais elevado – também ajudam nos resultados positivos. As tubulações que utilizam esse tipo de metal se destacam pela durabilidade – já que não sofrem corrosão causada por água e ar – reduzindo os custos de manutenção em relação a outros tipos de produtos. Romero diz que o consumo de cobre também é estimulado pela expansão do número de edifícios que utilizam ar condicionado central.

Além disso, sistemas de aquecimento solar também usam um grande volume de componentes deste metal. O cobre é utilizado na fabricação de placas solares devido às suas propriedades, como alta condutibilidade e melhor desempenho e rendimento na absorção da radiação solar.

O metal também vem sendo utilizado na distribuição de água quente gerada pelo sistema por conta da facilidade do manuseio, por suportar altas temperaturas por longo espaço de tempo, resistir à dilatação e à ação das intempéries quando exposto à luz solar. Outra qualidade é a capacidade de resistência à variação de ciclos de pressão e temperatura.

Romero destaca que o programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, do governo federal, deu impulso às vendas destinadas ao segmento habitacional, mas ele acredita que outras obras do PAC ainda podem ser determinantes nos resultados, citando investimentos ligados às obras de infraestrutura para a Copa do Mundo e Olimpíadas.

O programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” também foi destacado pelo vice-presidente do Grupo Paranapanema, Edson Monteiro, nos negócios com cobre destinados à construção.

Embora seja modesta em relação ao tamanho do Grupo – o maior do setor de cobre no Brasil – a área da construção é tratada como estratégica. De acordo com Monteiro, 25% dos negócios da unidade Eluma, com sede em Santo André, no ABC paulista, são voltados hoje para essa área, que deve ganhar ainda mais impulso com a nova fábrica de tubos de cobre que está sendo construída. “Estamos investindo R$ 150 milhões para implantar a mais moderna fábrica de tubos de cobre sem costura do Brasil”, afirma Monteiro. A fábrica começará a operar em 2013 em Santo André.

Para Monteiro, a preocupação cada vez maior com a questão da sustentabilidade na construção civil é outro fator que beneficia diretamente o uso do cobre. “O cobre é 100% reciclável. Além disso, por conta do seu alto valor agregado, ninguém deixa cobre no lixo”, afirma. Atenta às tecnologias sustentáveis em edifícios, a Paranapanema lançou, com a marca Eluma, um sistema de coleta e descarte de óleo que utiliza tubulação de cobre.

O arquiteto Rafael Setha Coelho, da N. Didini, companhia especializada em revestimentos metálicos, também avalia que a sustentabilidade estimula a construção de novos empreendimentos que usam cobre. Uma cobertura ou fachada de cobre, afirma ele, pode durar centenas de anos por conta da proteção natural do material gerada pela oxidação, gerando a chamada “patina verde”.

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