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Compras coletivas barateiam fase de acabamento

Maria  Cecilia Maciel
Colaboração para a Folha

Quem compra produtos ou contrata serviços hoje sem consultar a internet pode perder ótimas oportunidades.

Graças à união de grupos de pessoas com interesses comuns em compras coletivas, empresas dos mais variados segmentos conseguem oferecer descontos que vão de 15% a 70% sobre o valor real de seus produtos.

A tendência de consumo coletivo já chegou aos donos de imóveis, que passaram a se reunir para incrementar suas casas, especialmente na fase de acabamento da obra.

É nessa etapa final, quando os apartamentos são entregues “pelados”, que o dinheiro costuma ser mais escasso.

“Na fase de entrega das chaves, os custos com acabamento do imóvel muitas vezes foram subestimados pelos proprietários”, diz Mariana Alvez, advogada do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

“Por essa razão, a compra feita por um grupo de moradores facilita a obtenção de descontos mais significativos em lojas, se comparados aos oferecidos em uma compra individual”, completa.

Buscando economia, grupos de proprietários formam times independentes, articulando-se pela internet ou participando de sites especializados em compras coletivas voltadas para casa, construção e reforma.

A economia é significativa. “Conseguimos economizar cerca de R$ 2.500 comprando gesso, box e outros produtos”, diz o professor de tênis Marcio Morelli, que formou um grupo no condomínio onde mora, na Água Branca (zona oeste de São Paulo).

Na outra ponta, empresas fornecedoras também elencam vantagens. Elas ganham no volume de pedidos, podendo amealhar centenas de clientes de um único imóvel.

“Isso facilita a logística”, diz Josy Candido, proprietária da Gesso DiBrasil. O boca a boca também cresce rapidamente. “Se o cliente fica satisfeito, gera muito retorno, pois indica o trabalho para uma infinidade de pessoas nas redes sociais.”

COMPRAS COLETIVAS

Antes mesmo de se tornarem vizinhos, moradores utilizam a internet para fechar negócios juntos.

Com o objetivo de economizar na fase de acabamento da obra, eles descobrem interesses em comum e encontram lojas e fornecedores que oferecem descontos para compras coletivas.

Os moradores também usam blogs e grupos em sites como Orkut e Facebook para encontrar referências de quem já experimentou esse modelo de compra.

O professor de tênis Márcio Morelli, 29, começou a pesquisar preços de vários itens antes de se mudar para seu apartamento, na Água Branca. Acabou propondo uma compra conjunta com outros moradores quando viu o valor do aquecedor: R$ 2.300.

“Fiz contatos com a empresa e, em paralelo, fui falando com os meus vizinhos por e-mail e pela comunidade do prédio no Orkut. Chegamos ao valor de R$ 1.590 para o produto instalado, uma economia de R$ 710 para cada membro da turma”, diz.

O interesse foi tão grande que Morelli acabou pilotando outros grupos de compra, como os de gesso, box, janela, envidraçamento do terraço e telas de proteção. “Todos foram um sucesso”, diz ele, que gostou do resultado a ponto de planejar trabalhar como líder de grupos de compras.

Dos 350 apartamentos do condomínio, 200 aderiram à empreitada. Apesar do volume, não houve problemas, segundo Morelli. Isso porque o líder de compras costuma apenas negociar os valores.

Em seguida, repassa os contatos dos interessados para o fornecedor, que fecha a compra com cada morador -por conta disso, as garantias para os produtos são as mesmas de uma compra tradicional, segundo lojistas ouvidos pela Folha.

FACEBOOK DO PRÉDIO

O condomínio onde mora a fonoaudióloga Camila Marcello, em Imirim (zona norte), conta com 400 apartamentos. Antes da entrega das chaves, em novembro de 2011, o edifício já tinha uma página no Facebook e, na assembleia inaugural, um dos moradores criou um grupo de e-mails para facilitar a comunicação entre eles.

Foi pela rede social que vários moradores começaram a procurar empresas que pudessem oferecer descontos e formas de pagamento atrativas para o acabamento.

“A primeira empresa que surgiu ofereceu gesso com descontos em torno de 15%”, conta Camila, que também conseguiu reduzir em cerca de 20% o valor do envidraçamento da sacada e entre 15% e 20% o da porta de correr da cozinha.

“Conseguimos outros fornecedores, mas não demos sorte com todos, pois muitos não tinham funcionários, produtos e condições para atender à demanda”, diz ela, que também buscou compras coletivas para decorar a casa. “Consegui desconto de 25% em papéis de parede.”

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