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Com IPI, setor de veículos retoma produção e investimentos

Pedro Soares – Folha de São Paulo

Os dados da indústria de junho mostram que o setor de veículos reduziu seus estoques e retomou a produção graças à redução de IPI e revelam ainda uma retomada dos investimentos, segundo o IBGE.

Segundo André Macedo, economista do IBGE, inicialmente o corte do tributo elevou as vendas, mas não a produção, já que os pátios das montadoras estavam lotados de veículos. Agora, diz, a produção já mostra atividade –de 4,9% ante junho. Foi o setor que mais contribuiu para a alta de 0,3% da indústria de junho para julho.

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Apesar da melhora recente da indústria, Macedo ressalta, porém, que o ritmo atual de produção está aquém ao do ano passado.

“Embora se tenha uma melhora na ponta da série [nas taxas comparadas com os meses anteriores], os patamares de produção estão abaixo do ano passado e ainda mostram uma perda expressiva”, diz André Macedo.

Um exemplo é o próprio setor automotivo, que registrou queda de 2,7% na comparação com julho de 2011 –o ritmo de queda do segundo trimestre, porém, havia sido mais intenso: -7,1%. A perda da indústria geral ficou em 2,9% em relação a julho de 2011.

Segundo o IBGE, o setor é importante para alavancar o desempenho da indústria como um todo porque tem forte encadeamento com outros ramos que são seus fornecedores (plástico, borracha, siderurgia e outros).

Diretamente, o peso de veículos é de 10%, mas chega a 18% considerando os demais elos da cadeia, segundo Macedo.

Para Macedo, a redução do IPI permitiu “uma clara mudança de comportamento do setor nos últimos meses.”

Em junho e julho, os dois meses de retomada da produção, a produção de veículos acumulou crescimento 8,1% na comparação com o patamar de produção de maio.

O economista disse, porém, que o incentivo fiscal teve mais efeito durante a crise de 2008 e 2009, quando a redução de IPI fez a produção de veículos crescer 97% entre os meses de dezembro daqueles anos.

Agora, diz, a inadimplência mais alta, o maior comprometimento das famílias com dívidas e o consumo já satisfeito por esses bens (muitos consumidores compraram recentemente carros em outros períodos de redução do tributo) limitam o efeito da medida do governo, segundo Macedo.

O economista afirma ainda que a queda de produção no pico da crise no final de 2008 foi “muito mais intensa”, o que reduziu a base de comparação e fez o avanço ser mais expressivo em 2009.

O impacto do IPI também se traduziu em expansão da produção de eletrodomésticos da linha branca e móveis, com altas de 11,7% e 4,8%, respectivamente.

Macedo ressalta que o desempenho desses ramos destoa de outros que não foram beneficiados pelo corte de IPI, como vestuário (-6,4%), celulares (-50,2%), calçados (-0,7%). Os eletrodomésticos da linha marrom (TV, som e outros) tiveram queda de 9,6%.

INVESTIMENTOS

O crescimento de 1% na categoria de bens de capital de junho para julho, diz Macedo, reflete a maior produção de máquinas e equipamentos e caminhões, num sinal de reação dos investimentos.

A categoria, porém, registra queda de 9,1% em relação a julho de 2011. “Mais recentemente há uma melhora, mas o ritmo dos investimentos ainda está muito abaixo do ano passado”, afirmou.

Já a queda de 0,6% de bens de consumo não durável, a única com resultado negativo na passagem de junho para julho, foi reflexo da menor produção de gasolina, têxtil e farmacêutica.

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