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Certificação verde ajuda a racionalizar o consumo

Valor Econômico, Chris Martinez, 18/dez

Em 2001, uma pequenina agência do então Banco Real localizada no miolo da Granja Viana, em São Paulo, reunia uma amostra miúda – mas bem intencionada – do que seria uma construção sustentável. Ainda parecia uma utopia montar uma agência bancária que aproveitasse a água das chuvas para usá-la na limpeza e nos banheiros, ou que utilizasse um sistema alternativo para o resfriamento do ambiente, diminuindo os eficientes – porém gastões – condicionadores de ar. E, ainda, que aderisse à geração elétrica por meio de painéis solares fotovoltáicos. Ali, tinha de tudo um pouco. Era uma amostra quase pretensiosa do que se tornaria, anos depois, uma causa na construção civil brasileira.

Afinal, a bandeira levantada pelo banco – comprado pelo ABN Amro e, depois, pelo Santander – resultou, três anos mais tarde, na primeira certificação Leed, concedida pelo Green Building Council (GBC) no Brasil.

O banco firmou-se como um exemplo de sustentabilidade e Brasil também. Este ano, o país conquistou a quarta posição no ranking mundial de empreendimentos com o carimbo Leed, atrás apenas dos Estados Unidos, da China e dos Emirados Árabes Unidos. Um feito e tanto para um país que, até outro dia, apenas suspirava, sonolento, em torno desse tema.

No ano, o número de certificações praticamente dobrou para 32 edifícios com o selo “verde”, enquanto em 2011 foram 17. Outros 638 pedidos estão no sistema do (GBC) e receberão passaporte Leed se comprovarem o atendimento a critérios como eficiência energética; uso racional de água; qualidade ambiental interna; uso de materiais, tecnologias e recursos ambientalmente corretos, entre outras ações, que minimizem os impactos ao meio ambiente.

Além da Leed, americana, há também a certificação europeia, a Aqua, semelhante e que no Brasil foi desenvolvida e adaptada pela Fundação Vanzolini, de São Paulo. O selo Aqua também avançou e, este ano, o número de certificações passou para 88, ante as 51 do ano passado. “O que se busca é a eficiência”, diz Bruno Casagrande, diretor da Fundação Vanzolini.

O expressivo número de pedidos poderia levar a crer, num primeiro momento, que ganhar a certificação seria uma mera jogada de marketing. Afinal, ser sustentável está na moda.

Mas não chega ser exatamente isso, na visão de Marcos Casado, gestor do Green Building Council no Brasil. “O mercado imobiliário está aquecido e o setor de construção entendeu que ser sustentável traz benefícios no longo prazo”, afirma ele.

Casado era o gerente técnico do primeiro projeto do Banco Real. Engenheiro, ele coordenou o projeto com uma equipe interna. Hoje, mudou: largou a carreira no banco para se tornar o responsável do GBC no país. Desta forma, ele acompanha, avaliza e tenta “catequizar” o setor.

Mas uma obra sustentável é também mais cara. Algo entre 3% e 8%. As vezes, mais. Se a obra custa mais – e as empresas querem lucros e boas margens – por que, então, aderiram à nova onda? “A maioria desses empreendimentos sustentáveis é de prédios corporativos que atendem empresas internacionais, cientes da importância da sustentabilidade e que buscam locais assim para se instalar em outros países”, responde Felipe Aflalo, sócio do escritório de arquitetura Aflalo & Gasperini, com meio século de vida em São Paulo.

As questões urbanas, da região onde o prédio está instalado, também fazem parte das preocupações desses empreendimentos. “A área permeável dos terrenos, após a construção, passa a ser menor. Por isso, os projetos arquitetônicos são feitos para reter a água da chuva – seja para usar em jardins, seja simplesmente em reservatórios, que são esvaziados depois dos picos de chuva. “É uma forma de conter as cheias dos rios durante a época de chuvas, o que diminui o impacto na cidade”, diz Aflalo.

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