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Cenário externo ainda dita rumo da Bovespa

Por Téo Takar

Os mercados encerram esta semana de olho no encontro entre a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras. Ontem, pouco antes de jantar com o presidente francês, François Hollande, Merkel declarou que irá encorajar a Grécia a prosseguir com as reformas. “É importante que todos mantenham seus compromissos”, afirmou. Tudo indica que o grego vai aproveitar a reunião para pedir um prazo extra, de pelo menos dois anos, para que o país consiga cumprir as medidas de austeridade acertadas com os credores.

Ontem foi um dia difícil para as bolsas, com os investidores mostrando ceticismo em relação a uma saída concreta para o euro, além de se mostrarem surpresos com a entrevista do presidente da regional do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Saint Louis, James Bullard, à rede CNBC.

O Ibovespa caiu 1,46%, para 58.511 pontos, com volume de R$ 6,306 bilhões. Entre as ações de maior peso no índice, todas caíram: Petrobras PN (-0,97%), OGX ON (-2,97%) e Itaú PN (-0,67%).

Bullard disse que o crescimento modesto e contínuo da economia dos EUA e a melhora dos indicadores podem não ser suficientes para que os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) recorram a uma nova rodada de relaxamento monetário. O discurso veio na contramão da ata do Fed, que reforçou as apostas do mercado de que o novo pacote sairia já em setembro.

“A possibilidade de novos estímulos já estava no preço das ações. Como a fala de Bullard deu a entender que as medidas são possíveis, mas não prováveis, é natural que o mercado devolva um pouco”, observou a estrategista da Fator Corretora, Lika Takahashi. Vale lembrar, porém, que Bullard não tem poder voto nas decisões do Fomc.

Por aqui, além da fala de Bullard, também pesou o dado fraco de atividade na China. A leitura preliminar do índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês), divulgado pelo HSBC, caiu para 47,8 em agosto, comparada a uma leitura final de 49,3 em julho. O dado chinês influenciou diretamente o comportamento das ações da Vale. “Antes, havia expectativa de que o preço do minério de ferro se estabilizaria nos US$ 120 por tonelada. Mas já está nos US$ 100. Com a demanda fraca na Europa e a China dando sinais de desaceleração, a Vale tende a sofrer mais”, explica Lika. Vale PNA perdeu 3,17%, a R$ 34,19, e a ação ON recuou 3,87%, a R$ 34,70.

Apenas 13 das 67 ações do Ibovespa encerraram em alta, entre elas, Redecard ON (1,25%, a R$ 33,89). O papel também foi destaque de volume, com R$ 168 milhões. O Itaú Unibanco deu um ultimato aos minoritários da credenciadora de cartões. Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o banco definiu prazo até 24 de setembro para os acionistas decidirem se aceitam ou não a oferta (OPA) de fechamento de capital da Redecard, ao preço de R$ 35,00 por ação.

A agenda do dia reserva os dados de vendas de bens duráveis nos Estados Unidos e o desempenho da economia do Reino Unido no segundo trimestre.

Valor Econômico de 24.8.2012.

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