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Caixa e BB promovem a guerra do crédito

Bancos estatais competem e tentam mostrar que política do governo dá certo

EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Enquanto os atores Camila Pitanga e Reynaldo Gianecchini tentam convencer os clientes sobre qual banco estatal tem a menor taxa de juros do mercado, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil travam uma disputa para mostrar, com números, os resultados da política para mudar o custo do crédito no País.

 Dados do Banco Central mostram que o BB ficou pela primeira vez no topo da lista como instituição que cobra a menor taxa no crédito pessoal na primeira quinzena de agosto, considerando os grandes bancos de varejo. Duas semanas depois, os juros da Caixa nesta modalidade já estavam 17% menores e se encontravam abaixo de 2% ao mês, novamente os menores do ranking.

A pesquisa do BC mostra que, em um ano, os juros do crédito pessoal caíram 25% na Caixa, 23% no BB e no Itaú Unibanco e 20%, no Bradesco. Nesse mesmo período, o BC cortou a taxa básica de 12,5% para 7,5% ao ano. Mas a queda dos juros bancários se acentuou a partir de abril, quando o governo determinou aos bancos públicos que acelerassem esse processo. No início, no entanto, poucos clientes conseguiam encontrar taxas melhores, o que gerou críticas dentro do próprio governo sobre a atuação das duas instituições.

O vice-presidente de Negócios de Varejo do BB, Alexandre Abreu, diz que o resultado dessa política começou a aparecer de forma mais clara a partir de junho nos dados do BC e que essa queda deve se manter nos próximos meses.

No cheque especial, por exemplo – linha mais cara pesquisada pelo BC -, os juros caíram 50% na Caixa e 40% no BB nesse período. Neste caso, os bancos privados fizeram poucas alterações e têm hoje uma taxa que é quase o dobro da verificada nos concorrentes estatais, que está próximo de 4% e 5% ao mês.

No crédito para veículos, o BB se mantém como instituição com menor juro (1,23% ao mês). Neste caso, o corte nos estatais foi de 32%. Nos privados, a queda média foi de 24%. A Caixa se destacou nessa modalidade ao se aproximar do Santander, que ainda apresenta a segunda menor taxa (1,38% ao mês) entre os grandes bancos.

Competição. O vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival, diz que os juros vão continuar caindo, o que deve acirrar a competição pelo crédito. “Os bancos vão ter de olhar para dentro, aumentar a eficiência, aprimorar os modelos de relacionamento com cliente”, afirmou. “Estamos crescendo com qualidade do crédito. E a tendência é aparecer cada vez mais o nosso diferencial.”

Os executivos dos dois bancos não falam abertamente, mas um dos objetivos das duas instituições estatais é roubar clientes um do outro. A Caixa, por exemplo, conseguiu levar parte dos clientes do BB por causa das linhas de crédito pessoal, principalmente consignado, de acordo com uma fonte do governo.

O BB, por outro lado, está de olho no crédito imobiliário. Hoje, a Caixa responde por 75% dos financiamentos habitacionais no País. Neste caso, no entanto, a briga ainda depende da regulamentação da portabilidade de dívidas nesse segmento, medida que vai reduzir os custos cartoriais de transferência.

“Qual é o produto mais fidelizador que um banco pode ter? O crédito imobiliário. Esse cliente fica 20, 30 anos com o banco”, diz o vice-presidente de atacado, mercado de capitais e novos negócios do BB, Paulo Caffarelli.

“No momento em que houver a regulamentação, esse mercado imobiliário vai impulsionar muito. Estamos nos preparando para deslanchar. Essa é uma prioridade para o BB.” / COLABOROU JOÃO VILLAVERDE

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