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BNDES retorna ao mercado externo e capta US$ 1,5 bilhão

Por Talita Moreira

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltou a acessar o mercado externo ontem, quando captou US$ 1,5 bilhão por meio de uma emissão de bônus. A instituição aproveitou o bom momento para ativos brasileiros de renda fixa e levantou recursos a um custo menor que o previsto.

A operação foi dividida em duas tranches. Numa delas, o banco captou US$ 1 bilhão em títulos com vencimento em 2019. Na outra, foram levantados US$ 500 milhões com a reabertura de uma emissão que expira em 2023.

Foi a segunda oferta de bônus do banco neste ano. Em janeiro, o BNDES captou € 650 milhões em uma operação direcionada ao mercado europeu. Na ocasião, o banco tirou proveito dos custos favoráveis de captação na moeda europeia para diversificar sua base de investidores.

Na nova operação, com bônus denominados em dólares, cerca de 70% da demanda veio de investidores da América do Norte. Outros 20% vieram da Europa e o restante, do mercado asiático.

“O BNDES monitora sempre o mercado e identificou uma oportunidade”, afirmou Alexei Remizov, diretor de mercado de capitais do HSBC. O banco coordenou a operação ao lado de BB Securities, Citi e Mitsubishi UFJ Securities.

Segundo Remizov, o Brasil tem mostrado bom desempenho nas últimas semanas, especialmente em ativos de renda fixa, e o BNDES aproveitou esse bom momento.

Para o executivo, os investidores têm reagido positivamente à manutenção do grau de investimento brasileiro mesmo após o rebaixamento da nota do país pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P).

Ao mesmo tempo, os spreads dos bônus brasileiros subiram nos últimos meses, tornando os preços atrativos. “Os investidores estão vendo que [os papéis] têm valor”, afirmou Remizov.

Outros emissores brasileiros devem aproveitar essa maré favorável nos próximos dias. A siderúrgica Gerdau realiza ontem e hoje encontros com investidores para sondar o interesse por uma oferta de bônus de 30 anos. Segundo fonte a par do assunto, a expectativa é que a empresa levante ao menos US$ 500 milhões na operação.

No fim de março, após o rebaixamento brasileiro, o Tesouro Nacional captou € 1 bilhão. O frigorífico Minerva levantou US$ 300 milhões em títulos perpétuos.

Ontem, a demanda pelos títulos do BNDES totalizou US$ 5,5 bilhões. O banco, entretanto, preferiu limitar o tamanho da operação e reduzir os custos.

Na tranche de 2019, os papéis pagarão cupom de 4% ao ano e foram colocados com retorno ao investidor de 4,054% anuais. Os títulos de 2023 pagam cupom de 5,75% e saíram com rendimento de 5,322% ao ano. Nos dois vencimentos, o custo ficou abaixo do esperado pela instituição. Procurado, o BNDES não se pronunciou.

As captações externas responderam por 70% dos US$ 17,2 bilhões levantados por companhias brasileiras no mercado de capitais no primeiro trimestre, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Quase a metade, porém, se refere a uma emissão de US$ 8,5 bilhões em bônus feita em março pela Petrobras.

Para Carolina Lacerda, diretora da Anbima, as empresas repensaram os planos de recorrer ao mercado no início do ano diante da instabilidade econômica. “Foi um trimestre de bastante volatilidade, com um questionamento muito grande sobre como seria o ano para o Brasil com a Copa e as eleições”, disse.

Fonte: Valor Econômico de 8.4.2014.

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