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BM&F nega guerra de preço em renda fixa

Por Vinícius Pinheiro

Com planos de lançar ainda neste semestre uma nova plataforma para registro de títulos de renda fixa e derivativos de balcão (negociados fora do ambiente de bolsa), a BM&FBovespa não pretende disputar esses mercados a partir de uma política de preços mais agressiva em relação ao concorrente, a Cetip, que concentra essas operações. Pelo menos é o que afirma o diretor-presidente da bolsa, Edemir Pinto. “Não temos a intenção de fazer do preço um diferencial, queremos levar eficiência.”

O executivo destacou que a BM&FBovespa já atua em ambos os mercados, mas que os sistemas atuais não atendem às necessidades dos investidores. “Não temos um projeto de competir com a plataforma estabelecida. Queremos fidelizar o cliente e dar uma resposta às suas necessidades operacionais”, disse, durante teleconferência com a imprensa para comentar os resultados do segundo trimestre.

O diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Eduardo Refinetti Guardia, afirmou que o segmento de renda fixa privado ainda é pouco explorado no país. Segundo Guardia, a bolsa quer se preparar para participar do crescimento esperado para esse mercado. Ele não revelou, porém, a perspectiva de participação de mercado que a BM&FBovespa pretende alcançar a partir da entrada em funcionamento da nova plataforma.

No caso dos derivativos de balcão, Guardia afirmou que a atuação da bolsa faz parte do projeto de integração das câmaras de compensação (clearings), que deve ser lançado até 2014. O objetivo é incorporar essas posições no cálculo das garantias exigidas dos clientes nas operações de balcão e bolsa, o que deve diminuir o valor a ser depositado pelos investidores.

Questionado sobre o interesse de potenciais competidores na prestação de serviço de negociação de ações, hoje oferecido exclusivamente pela BM&FBovespa, o presidente da bolsa reiterou que a legislação já permite a entrada de concorrentes. Ainda segundo Edemir, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já sinalizou que não vê como prioridade a fragmentação do mercado. “E mesmo lá fora os reguladores hoje se questionam se não avançaram demais na fragmentação”, disse.

Embora considere que os preços praticados na bolsa brasileira estão alinhados com o mercado internacional, a BM&FBovespa contratou a consultoria McKinsey para avaliar a sua estrutura de preços. “Entendemos que, com o crescimento do mercado, temos condições de dividir os ganhos de escala com os clientes”, disse Guardia.

O processo de ajustes na política de preços, no entanto, será longo. “Não haverá nenhum grande anúncio, o movimento de mudança não acontecerá da noite para o dia”, afirmou.

Na teleconferência, ambos os executivos voltaram a destacar as perspectivas favoráveis para a bolsa em razão do processo de queda da taxa básica de juros. Mas diante do agravamento da crise externa, a bolsa reduziu pela metade a projeção de ofertas de ações em 2012. No início do ano, a previsão do presidente da BM&FBovespa era de que fossem realizadas entre 40 e 45 ofertas no mercado brasileiro, com um volume de até R$ 50 bilhões. “Infelizmente, a expectativa foi frustrada com o prolongamento da crise”, disse Edemir.

Valor Econômico de 9.8.2012.

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