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Bioarquitetura ganha espaço

Brasil Econômico, Cristina Ribeiro de Carvalho, 22/Nov

Recursos naturais, como o barro, podem ser utilizados com bons resultados na construção

Aliar construção e sustentabilidade é uma das novas premissas do setor, que passa a chamar a nova técnica de bioarquitetura, como conta o arquiteto alemão Gernot Minke. A prática consiste, de acordo com Minke, em utilizar materiais naturais, do local. “Isso significa que é preciso aproveitar o passivo dos recursos naturais – iluminação natural, ventilação e microclimas – junto com a obtenção da eficiência energética do lugar. E o Brasil é rico neste aspecto, pois é um país ensolarado”, explica o arquiteto.

A bioarquitetura considera não apenas seus aspectos técnicos, mas analisa toda a cadeia produtiva ao qual perpassam, desde a extração e o manejo da matéria-prima até as distâncias percorridas em seu trajeto, os processos de transformação e incorporação de substâncias, a durabilidade, degradação e sua reintegração à natureza.

“Analisando o ciclo de vida dos materiais, obtem-se dados sobre os impactos que causam à natureza e à saúde humana, sendo possível tomar decisões conscientes e comprometidas com o meio ambiente e com as gerações atuais e futuras”, completa.

Dentro da bioarquitetura, Minke conta ainda que é possível usar terra argilosa, o barro. Uma das técnicas principais da bioarquitetura é a construção com terra crua.

“Em vez de utilizar energia para fazer tijolos, essa técnica propõe a utilização da terra crua, que tem um processo de secagem natural e não acarreta desmatamento, nem emissão de gás carbônico na atmosfera como os tijolos cozidos”, detalha.

Ainda de acordo com Minke, os benefícios vão além da sustentabilidade, pois esse tipo de tijolo possui ótima qualidade termoacústica. “São assentados com a mesma mistura de sua composição e podem formar paredes autoportantes (dispensam pilares) ou de vedação.

Quanto ao que pode ser construído com esse tipo de barro, o especialista aponta todos os tipos de edificações. Entre os exemplos existentes no mundo citado por ele estão creches, salas de multiuso, oficinas, centro de saúde e residências de alto padrão. “Também podemos construir prédios grandes. Temos na Alemanha uma habitação para sete famílias, com três pisos, com esqueleto de madeira e as paredes feitas de barro”, diz. “Não podemos utilizar mais concreto e materiais pré-fabricados, que contribuem para a poluição”.

A construção de paredes com fardos de palha é também uma das técnicas construtivas mais simples, baratas e assimiláveis da bioarquitetura.

Nesse processo, os fardos de palha são empilhados entre os pilares da edificação, proporcionando um bom isolamento térmico e acústico feitos com custos reduzidos. “Esses sistemas já são encontrados perto de aeroportos e rodovias nos EUA e na Europa como barreiras de som”, diz Minke.

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