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BC ajuda a reforçar resposta a agência

Por Guilherme Serodio, Daniel Rittner e Edna Simão

A resposta do governo ao rebaixamento da nota de crédito soberano pela Standard & Poor’s mobilizou ontem o Banco Central, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), que reforçaram a reação iniciada na segunda-feira pelo Ministério da Fazenda.

O Banco Central, que não havia se manifestado na segunda, divulgou nota ontem dizendo que o Brasil tem respondido e continuará a responder de forma clássica e robusta aos desafios do novo quadro internacional, “independentemente da avaliação da agência de rating Standard & Poor’s”.

O BC afirma que a resposta que tem sido dada a esses desafios “combina austeridade na condução da política macroeconômica, flexibilidade cambial e utilização dos colchões de proteção acumulados ao longo do tempo (reservas de liquidez) para suavizar os movimentos nos preços dos ativos”.

“Com isso, o Brasil encontra-se bem posicionado nesta nova fase de normalização das condições financeiras globais e tem plena capacidade de atravessá-la com segurança”, acrescenta o texto. O BC destaca ainda que o país vem recebendo fluxos de capitais nos últimos meses “que refletem em grande parte as políticas em curso.”

No início da tarde, ao deixar reunião com empresários na Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) no Rio, o ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges Lemos, disse considerar injusto o rebaixamento.

“Não tem nenhuma justificativa objetiva, com os dados na mesa, que justifique o rebaixamento”, afirmou o ministro, para quem o crescimento da economia brasileira está acima da média mundial nos últimos anos, excluindo-se a China. De acordo com ele, o país tem um quadro macroeconômico positivo, com estabilidade cambial, monetária e fiscal.

Borges refutou que a contabilidade utilizada no ano passado pelo governo e considerada “criativa” por alguns críticos seja motivo suficiente para a redução da nota do país pela agência. “Não vou entrar no mérito das críticas, mas a questão real é que o governo tem uma capacidade de geração de receita muito grande porque o crescimento da economia brasileira acontece mesmo em um período de crise como este. Durante a crise os Estados Unidos foram rebaixados pelas agências. Não é uma excepcionalidade do Brasil.”

Em Brasília, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que o rebaixamento já estava precificado. “A melhor resposta está sendo dada pelo mercado brasileiro: recebeu com tranquilidade, o fato já estava precificado, a Bolsa continua firme, a taxa de câmbio recuou”, afirmou em audiência pública no Senado.

“Respeito a classificadora, mas tenho total confiança na firmeza da política fiscal brasileira. O futuro mostrará essa consistência.”

Para Coutinho, as oportunidades de investimento no Brasil são muito amplas, tornando “pequeno e negligível” o reflexo sobre a captação de recursos produtivos.

O investimento estrangeiro direto (IED) segue firme, disse. “Estamos longe de uma situação traumática de crise.”

Fonte: Valor Econômico do dia 26.03.2014.

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