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Bancos reforçam estrutura do FGC

Por Carolina Mandl

Depois de ter sua imagem arranhada no ano passado, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) terá sua estrutura reforçada pelos bancos. Dona de um patrimônio de R$ 34,2 bilhões, a entidade anunciou ontem que pretende eleger, no dia 30, novos executivos para compor sua diretoria e conselho de administração.

José Luiz Majolo, que já foi vice-presidente do ABN Amro, é indicado para se tornar o novo presidente do conselho do FGC. O executivo, que já era conselheiro da entidade, deve substituir Antonio Carlos Bueno de Camargo Silva, à frente do FGC nos últimos 19 anos.

Em um comunicado, o FGC diz que Bueno “solicitou que seu nome não fosse considerado para novo mandato”. O executivo vai se aposentar. Não é de se desprezar, porém, que Bueno sofreu um certo desgaste perante os principais bancos do país. Isso porque, em agosto do ano passado, Celso Antunes deixou o principal cargo da diretoria do FGC depois que vieram à tona informações sobre potenciais conflitos de interesse na terceirização de serviços do banco Cruzeiro do Sul, liquidado em setembro de 2012.

Além dessa mudança no comando, o conselho do FGC receberá dois novos integrantes, conforme as indicações. Adalberto de Moraes Schettert, que já era conselheiro suplente do fundo, e Renê Sanda, que deixou a diretoria de investimento da Previ para se aposentar. Outros quatro executivos completam os quadros do conselho: Jairo Saddi (vice-presidente), Hélio Ribeiro Duarte e Marcos de Barros Lisboa.

Em outra medida para deixar a estrutura do fundo mais robusta, a diretoria receberá mais três integrantes, em um total de cinco.

Carlos Alfredo Vianna, que era gerente-geral de desenvolvimento de crédito do Itaú BBA, assumirá a diretoria de risco do FGC, e o advogado Caetano de Vasconcellos Neto será o diretor jurídico. A segmentação por áreas sinaliza que o fundo terá uma equipe técnica própria, sem depender tanto de prestadores de serviços, justamente o foco de problemas envolvendo o Cruzeiro do Sul. “A chegada de Vasconcellos e Vianna é mais um passo no processo de aperfeiçoamento institucional e operacional do FGC”, diz a entidade em comunicado.

Um terceiro novo nome ainda chegará à diretoria. A partir disso é que se definirá quem vai ficar na presidência executiva do FGC. Entre os bancos há o consenso se que o fundo precisa de um presidente, mas ele poderá emergir do quadro atual da diretoria ou vir de fora. É algo que está em discussão neste momento.

Hoje, a estrutura executiva do FGC já conta com Aparecida Santana e Fábio Mentone, responsáveis pelas áreas administrativa e de operações, respectivamente.

Desde 2008, o FGC vem ganhando novas atribuições no sistema financeiro, sem ter tido até agora sua estrutura ampliada. Criado no auge de uma crise bancária em 1995 com o objetivo de cobrir depósitos de pequenos poupadores – e reaver a confiança deles – o fundo se tornou mais recentemente um provedor de liquidez e viabiliza até operações de salvamento de instituições.

A chegada de novas funções é algo que deixa alguns bancos em uma situação desconfortável. Inicialmente, criou um certo incômodo o conflito de interesses que os banqueiros enfrentavam ao terem de aprovar operações de capitalização de instituições com problemas, nas quais podiam ter recursos aplicados, por exemplo.

O problema foi contornado em 2012, quando o FGC partiu para um modelo de profissionalização do seu conselho. Os dirigentes de bancos passaram para um conselho consultivo, chamado a participar de discussões apenas pelo Banco Central ou pelo conselho de administração.

Outro desconforto, porém, persiste. Depois dos problemas enfrentados no Cruzeiro do Sul, no qual o FGC ficou responsável pelo regime de administração especial temporária (Raet), os banqueiros se sentem inseguros em voltar a assumir intervenções. A avaliação é que, sem um respaldo legal mais explícito, os bancos correm riscos. Hoje, a atuação do FGC é amparada por uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Dentro do Banco Central, o entendimento é de que situações de crise de bancos específicos devem ser solucionadas por um agente externo, o que traz mais agilidade. É algo que o BC não quer trazer para dentro de casa. Mas a autoridade também está consciente de que um novo marco legal para a resolução bancária deve ser editado.

Fonte: Valor Econômico do dia 16.04.2014

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