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Bancos querem tratamento diferenciado do BCE

Por Laura Noonan

A determinação do Banco Central Europeu (BCE) de submeter os maiores bancos da zona do euro às mesmas rigorosas verificações está sendo testada, pois diversos países estão pressionando para que seus bancos sejam tratados de formas diferenciadas e os bancos pedem um alívio em sua carga de trabalho.

Quase duas semanas após o BCE ter publicado um manual de 285 páginas explanando como analisará trilhões de euros de ativos bancários, bancos alemães e espanhóis estão à frente de uma iniciativa objetivando receber um tratamento especial, ao mesmo tempo em que bancos em toda a zona do euro defendem mudanças no processo para torná-lo menos oneroso. O BCE tem resistido às pressões de bancos espanhóis e alemães, mas concordou em adaptar o processo de coleta de dados após alguns testes práticos, tendo divulgado uma revisão de sua orientação original sobre isso nos últimos dias, disseram à “Reuters” fontes familiarizadas com o assunto.

O banco central está aplicando testes abrangentes para que possa iniciar com uma “tabula rasa”, ao assumir a supervisão do setor bancário da zona do euro em novembro. Os testes foram concebidos de modo a eliminar persistentes dúvidas dos investidores sobre a saúde dos bancos da região cujas avaliações ficaram sistematicamente abaixo das de seus equivalentes americanos.

Um dos objetivos chave do BCE é a homogeneidade dos testes em todos os 18 países da zona do euro, para que os resultados sejam todos diretamente comparáveis.

Os bancos espanhóis têm defendido uma flexibilização das regras, exigindo que garantias sejam avaliadas por agentes independentes, caso as avaliações existentes tiverem sido realizadas há mais de um ano, informou a Reuters na semana passada.

Fontes bem informadas sobre a questão disseram que os bancos alemães também estão pressionando contra baixas contábeis automáticas de garantias cujas avaliações sejam mais antigas, argumentando que o mercado imobiliário alemão mantém-se estável e que por isso não há necessidade de avaliações frequentes.

O BCE recusou-se a comentar casos específicos, mas um porta-voz disse que, coerentemente com as metas de estabelecimento de confiança e condições de concorrência equânimes para todos os bancos, não há exceções às regras estabelecidas no manual de testes.

Duas fontes familiarizadas com o processo disseram que o BCE deixou claro não estar disposto a acomodar os testes às exigências das agências regulamentadoras nacionais ou dos bancos, pois isso poderia criar uma inundação de solicitações.

“Quaisquer tipos de exceções abertas a países específicos provavelmente comprometerão o espírito dos testes, cuja intenção é avaliar todos os bancos segundo um mesmo critério”, disse Ronny Rehn, codiretor de pesquisa de bancos europeus na KBW, em Londres. Os bancos centrais de alguns dos países cujos bancos foram mais duramente atingidos pela crise financeira mundial disseram ser favoráveis aos planos do BCE.

Um alto funcionário do Banco da Grécia disse que seu país não discorda dos termos estabelecidos no manual, comentário semelhante ao de um porta-voz do banco central da Irlanda.

Tom McAleese, um consultor na Alvarez & Marsal, em Dublin, que já participou de reavaliações de bancos europeus, disse ser razoável, em alguns casos, que países possam solicitar adaptações nacionais, caso seu sistema bancário tenha efetivamente características únicas. “[Isso] não deveria ser permitido a todo mundo”, acrescentou.

O BCE demonstrou maior flexibilidade no terreno da coleta de dados, e três fontes disseram à Reuters que o banco central concordou em mudar a forma como pede aos bancos que forneçam dados, para tornar o processo mais administrável para eles. As fontes disseram que a nova abordagem não diminuirá as informações disponíveis ao BCE, mas poderá reduzir o risco de descumprimento de prazos por parte dos bancos, algo que o BCE está firmemente empenhado em evitar.

A mudança significa que os bancos não terão mais de preencher complexos formulários de dados para encaminhar ao BCE e também entregar os originais de arquivos de empréstimos aos auditores, um sistema que argumentavam os bancos, duplicava o trabalho.

“O BCE publicou uma minuta de modelo modificado que reflete uma redução na responsabilidade dos bancos quanto ao preenchimento de gabaritos, embora isso de modo algum virá a reduzir o grau de detalhamento [disponível aos auditores]”, disse uma fonte familiarizada com o processo. “O resultado final da reavaliação da qualidade de ativos [AQR, em inglês] não mudará em absolutamente nada”, acrescentou a fonte.

Um porta-voz do BCE disse que o banco central está empenhado em criar condições de concorrência equitativas, com situações comparáveis e resultados comparáveis. “Tratamento diferenciado está fora de questão”, disse ela.

Em consequência disso, o BCE teve que pressionar os bancos até seus limites, no que diz respeito a pedidos de dados, definições harmonizadas e descrições comparáveis, e por meio de testes de campo eles conseguiram uma compreensão do que é possível em termos de prazos e de conteúdo. “É por isso que o ajuste das solicitações de dados é um procedimento

Fonte: Valor Econômico do dia 26.03.2014.

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