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Bancos estrangeiros reduzem oferta de crédito à exportação

Valor Econômico

Bancos estrangeiros reduzem oferta de crédito à exportação

A crise no sistema financeiro nos Estados Unidos e Europa reduziu a disponibilidade de crédito à exportação ao país, tornou as linhas mais caras e encurtou prazos de vencimento. Bancos estrangeiros deixaram de operar no mercado, pois passam por uma crise de liquidez e solvência. Chegam a pagar prêmios maiores em suas próprias captações do que os retornos oferecidos pelas empresas brasileiras nesse tipo de crédito de menor risco e ganho. O Banco do Brasil (BB), o líder do mercado, chegou a notar falta de linhas de prazo de vencimento acima de 90 dias.

Com a oferta menor de linhas, o total de câmbio para exportação financiado no primeiro semestre deste ano foi de US$ 5,6 bilhões, queda de 70% na comparação com os US$ 18,96 bilhões nos primeiros seis meses do ano passado, segundo os dados do Banco Central. Foi considerada a diferença entre o câmbio contratado e o total embarcado.

Os dados do BB mostram a mesma tendência. O volume de linhas de vencimento até um ano – Adiantamento de Contrato de Câmbio (pré-embarque) e Adiantamento sobre Cambiais Entregues (pós-embarque) – caiu 50% no primeiro semestre em comparação ao mesmo período do ano passado. É importante notar que nos números do BB está incluída toda a produção de ACC e ACE – diferentemente do que acontece nos dados do BC, quando uma linha é renovada, ela é contada novamente.

De acordo com esses números, o BB fechou US$ 5,6 bilhões em ACCs e ACEs, na comparação com o total de US$ 7,4 bilhões do mesmo período do ano passado e os US$ 7,6 bilhões do segundo semestre de 2007. “O primeiro trimestre foi mais crítico e no segundo semestre a situação voltou a melhorar para as linhas até um ano, que estão praticamente normalizadas”, diz diretor de Comércio Exterior do BB, Nilo Panazzolo.

O grau de investimento do Brasil, que veio no final de abril, ajudou, continua ele, assim como o socorro do Fed, banco central americano, na compra do Bear Stearns pelo JPMorgan. Ele acredita que o banco vai fechar US$ 1,4 bilhão em ACC e ACE em julho e não perdeu as esperanças de atingir a meta de US$ 15 bilhões neste ano. No crédito de prazo acima de um ano, segundo ele, apenas operações pontuais chegam a sair. “Não poderia dizer que há normalidade aí”, diz ele. Neste momento, não há nenhuma transação de pré-pagamento à exportação sindicalizado (com a participação de vários bancos) no mercado. Há dificuldades em definir preço.

“Os custos do crédito à exportação subiram”, afirma Marlene Millan, diretora do Departamento de Câmbio do Bradesco. “Operações acima de um ano ficaram mais difíceis”, concorda. Em ACC e ACE, o Bradesco produziu um total de US$ 5,1 bilhões de janeiro a junho, ficando nos mesmos níveis dos US$ 5,2 bilhões do primeiro semestre do ano passado e dos US$ 5,3 bilhões dos últimos seis meses de 2007. Em um ano, a carteira do banco cresceu, passando de US$ 3,35 bilhões em junho do ano passado para US$ 4,7 bilhões em junho último.

Há um ano, um grande banco brasileiro grau de investimento chegava a captar linhas de 180 dias pagando Libor, a taxa interbancária de Londres, mais 0,08 ponto percentual ao ano. Hoje, não capta por menos do que 0,35 a 0,40 ponto percentual sobre a Libor. “Após o grau de investimento, nós até tentamos negociar prêmios menores, sem sucesso, no entanto”, diz Marlene Millan. Para os bancos nacionais menores, a situação de aperto se tornou ainda pior.

Os prêmios de risco subiram, mas as linhas de crédito à exportação estão mais baratas para as empresas do que o crédito em reais, cerca de 1 ponto percentual ao ano, diz José Augusto Durand , responsável pela mesa de clientes do Itaú BBA. Isso sem considerar os custos fiscais.

No capital de giro em reais, as empresas têm de pagar o tradicional Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 1,5% mais o de 0,38% criado para compensar o fim da CPMF. No crédito à exportação, não há imposto. O IOF sobre o fechamento de câmbio para a exportação, implantado no início deste ano e que chegou a tirar o interesse dos exportadores pelo ACC e ACE, já foi extinto pelo governo.

No Itaú BBA, a carteira de ACC e ACE é hoje de US$ 1,2 bilhão, na comparação com os US$ 250 milhões de janeiro do ano passado, revela Durand. É importante notar que em setembro do ano passado o Itaú BBA recebeu 1.000 clientes de porte médio vindos do Itaú, que se juntaram aos seus 1.200 clientes, passando a atender 2.200 empresas.

“No primeiro semestre houve inadimplência de exportadoras brasileiras de porte médio e os bancos estrangeiros descobriram o óbvio: que essas empresas pagam prêmios maiores porque oferecem maior risco”, diz Carlos Catraio, presidente do BPN Brasil. De acordo com ele, diversos bancos assustados desistiram de atuar nesse segmento no país. Não é o caso do BPN, afirma. O banco de capital português e angolano tem uma carteira de crédito de R$ 500 milhões no Brasil, dos quais 15% são para comércio exterior. Quer ampliar essa participação para 30%. “Nosso crédito é só para empresas médias”, diz.

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