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Bancos espanhóis são pressionados a vender imóveis

Sob o peso de imóveis retomados cujos valores chegam a € 40 bilhões, os bancos espanhóis estão sob crescente pressão para vender esses ativos, uma vez que os preços estão caindo e os investidores estão voltando ao mercado.

Os preços dos imóveis vão aumentar na medida da recuperação da economia da Espanha de uma recessão de cinco anos, e da tentativa dos bancos de reduzir os custos de manutenção de propriedades, diz Fernando Acuna, fundador da Aura Real Estate Experts, uma companhia que aconselha investidores nas compras de imóveis em poder de bancos espanhóis. A estimativa dos ativos podres dos bancos feita pela firma é mais que o dobro do valor revelado pelos bancos até agora e inclui cerca de 400 mil moradias, terrenos e imóveis comerciais.

Os bancos espanhóis adquiriram os ativos depois que empresas e proprietários de moradias ficaram inadimplentes na pior desaceleração econômica sofrida pelo país em 50 anos. A Espanha foi forçada a buscar ajuda para o setor bancário na União Europeia e reduziu o número de bancos de poupança de 45 para 7. A queda dos preços dos imóveis e a recuperação da economia estão desencadeando uma retomada dos investimentos na Espanha, dando aos bancos uma chance para a venda de tantos imóveis.

A Aura informou em um relatório que os bancos espanhóis estão de posse de 180 mil imóveis e € 17,2 bilhões em propriedades executadas, segundo apontam relatórios de bancos, sites na internet e outras fontes. Isso inclui mais de 50 mil estacionamentos, 10.500 lojas comerciais e mais de 6 mil depósitos. “Esse mercado cresceu de forma contínua nos últimos cinco anos por causa do aumento das inadimplências e posteriores execuções”, diz Acuna, um ex-executivo do Deutsche Bank e fundador da Taurus Iberica, companhia que vende e aluga imóveis em nome de bancos e incorporadoras.

Nove bancos que não receberam ajuda financeira da União Europeia no ano passado estão de posse de cerca de 52% dos imóveis cujas hipotecas foram executadas, estima a Aura. Eles incluem o Banco Santander, Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) e CaixaBank. Os chamados imóveis REO são aqueles em poder de entidades como bancos, governos e seguradoras, que tiveram suas hipotecas executadas e não encontraram compradores em leilões.

Um porta-voz do Santander não quis comentar o assunto. Representantes do BBVA e do CaixaBank não responderam a e-mails com pedidos de entrevista.

Os bancos espanhóis estão aumentando seus esforços para a venda de ativos residenciais confiscados, o que está levando a cortes maiores nos preços, segundo aponta um relatório divulgado em janeiro por Sanja Paic, analista da agência Fitch Ratings em Londres.

O Sareb, banco espanhol formado por ativos podres em 2012, para absorver € 50 bilhões em ativos imobiliários que estavam em posse de bancos, detém 13,5% dos imóveis espanhóis reempossados. O Sareb vendeu 6.400 propriedades até novembro, gerando mais de € 2 bilhões em receitas em seu primeiro ano de existência. Ele vendeu uma participação de controle em uma carteira de mil moradias avaliada em € 146 milhões para o Grupo Lar, uma incorporadora imobiliária espanhola de capital fechado, e o Fortress Investment Group.

O presidente do conselho de administração do Sareb, Belen Romana, e seu executivo-chefe, Jaime Echegoyen, disseram ontem que a instituição teve um prejuízo de € 261 milhões em 2013, após provisionamento extra de € 259 milhões para parte de sua carteira de empréstimos. O Sareb, que amortizou € 2 bilhões em dívidas no ano passado, pretende cancelar € 3 bilhões em empréstimos em 2014.

“A mudança de sentimento sobre os investimentos no mercado imobiliário da Espanha e o volume de dinheiro que os investidores internacionais precisam aplicar no país significam que os bancos encontrarão compradores para alguns desses ativos”, diz Mike Echavarren, executivo-chefe da Irea, firma de reestruturação de dívidas de Madri que atuou como consultora no refinanciamento de € 22 bilhões e transações imobiliárias avaliadas em € 3,2 bilhões.

Firmas como Blackstone Group e Goldman Sachs estão comprando imóveis residenciais na Espanha, depois que os preços caíram mais de 45% desde o pico registrado em 2007, e após os aluguéis dos imóveis comerciais de alto nível caírem mais de 40% desde 2008.

Fonte: Valor Econômico de 28.3.2014.

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