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Após crítica brasileira, EUA acusam país de protecionismo

Fonte: Brasil Econômico

Representante de comércio americano envia carta a Patriota, que condena aumento de tarifas de importação.

Uma sequência de declarações ácidas entre os representantes dos governos brasileiro e americano – com críticas às ações dos dois países para defender-se dos efeitos negativos da crise – criou um clima no mínimo desagradável às vésperas do encontro entre a presidente Dilma Rousseff e seu homólogo, Barack Obama, previsto para o início da semana que vem.

Em uma conjuntura mundial que sofre sérias restrições há mais de quatro anos, as reações e declarações enérgicas têm sido imediatas. De um lado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, intensifica a censura a respeito da nova rodada de flexibilização monetária pelo Federal Reserve (Fed, Banco Central dos Estados Unidos), preparando o terreno para a conversa de Dilma com Obama, segundo noticiou o Brasil Econômico esta semana.

Em contrapartida, o representante de Comércio dos Estados Unidos, Ron Kirk, enviou carta ao ministro de Relações Exteriores brasileiro, Antonio Patriota, condenando a medida recente que aumenta as tarifas de importação de cem produtos.

No documento, datado de 19 de setembro e que foi tornado público ontem por meio do site do jornal O Estado de S. Paulo, Kirk afirma que isso representa uma política protecionista e que “elevações de tarifas repetidamente e cada vez mais focadas nos Estados Unidos irão afetar a percepção sobre cooperação mútua para facilitar o comércio em produtos industriais.”

Lado brasileiro

O Itamaraty reagiu mesmo antes de receber a correspondência. Soube do teor pela mídia. “O Brasil não aceita a crítica nem em sua forma, nem em conteúdo”, disse ao Brasil Econômico o porta-voz Tovar Nunes, ressaltando que as medidas foram tomadas em estrito cumprimento das normas da Organização Mundial do Comércio (OMC), com transparência, de forma colegiada e soberana e baseada em decisão do Mercosul.

“Isso não é forma de tratar um parceiro comercial importante como o Brasil e não reflete o bom relacionamento que temos.” Segundo ele, o comentário é injustificado e não há razão para que os EUA sejam os críticos nessa questão.

Primeiro porque eles têm tido um superávit crescente com o Brasil. Nos últimos anos, disse, as vendas mais que dobraram, levando a um déficit de US$ 8,2 bilhões na balança comercial brasileira do ano passado.

Compilação feita pela Divisão de Inteligência Comercial do Ministério de Relações Exteriores, com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) e OMC, mostram que, em 2011, o Brasil foi o sétimo país do mundo a receber mais importações. Enquanto que os Estados Unidos sequer aparecem entre os 30 primeiros.

Nunes ressalta ainda que, encabeçando a lista desses países, quatro são do Mercosul: Argentina está em primeiro lugar, Uruguai em quarto e Venezuela em sexto. “Não se chama de protecionista um país que tem elevado nível de importação”, afirmou.

Josefina Guedes, especialista em relações comerciais e diretora da Guedes, Bernardo e Imamura Consultoria Internacional, foi ainda mais dura nas críticas: “Isso é um absurdo. Os EUA têm milhares de leis protegendo tudo”, disse, lembrando que o aumento de tarifas de importação teve teto de 25%, abaixo, portanto, dos 35% que são autorizados pela OMC.

De acordo com ela, neste momento de crise muito acentuada, o mercado brasileiro está sendo inundado de importações em sua grande maioria asiáticas e todos os países precisam encontrar meios para equilibrar as condições de mercado.

Na semana passada, em visita a Washington, o embaixador Rubens Barbosa, que representou o Brasil nos Estados Unidos e na Inglaterra, já havia ouvido críticas à elevação de tarifas de importação. Para ele, esta é mais uma medida para restabelecer a competitividade dos produtos brasileiros.

“A própria carta (do representante de Comércio do governo Barack Obama, Ron Kirk) reconhece que as tarifas ficam abaixo do estabelecido pela OMC. Além disso, o comércio continua mais favorável aos Estados Unidos, por conta da apreciação cambial, e o Brasil acompanha outros países”, disse, acrescentando que o problema é a visão externa de país protecionista que as medidas carregam.

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