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Aplicar no exterior é opção em tempos de incerteza

Por Augusto Miranda

Nos tempos atuais, investir é tarefa séria que exige flexibilidade na conduta da construção de sua carteira. Ainda mais se levarmos em conta o atual cenário doméstico. No curto prazo, os dados econômicos seguem voláteis e o ambiente interno permanece incerto, com a inflação pressionada e os indicadores econômicos abaixo das expectativas. No mercado de renda fixa, os títulos tiveram uma redução drástica nas taxas de juros e o cenário para a bolsa de valores não está nada fácil.

Diante desta realidade, em que as taxas de juros no longo prazo no Brasil distanciam-se dos patamares mais elevados e as incertezas aumentam com o risco de racionamento de energia e com as eleições presidenciais no segundo semestre, o investidor deve ter em mente que somente a diversificação com ativos locais não é suficiente para atingir a plena proteção e retornos consistentes. A partir de agora, é necessário analisar outras aplicações como, por exemplo, as internacionais.

A alocação de ativos sempre foi o tema central de várias pesquisas e discussões no mundo financeiro. Diversificar seus investimentos tem por objetivo principal proteger a sua carteira, já que diferentes estratégias são criadas para que o investidor tenha um rendimento melhor em combinação ao seu perfil e tolerância ao risco. Para melhorar cada vez mais essa relação eficiente, o investidor deve explorar novas alternativas e veículos. Vários modelos e teorias passaram por evoluções e ajustes, mas o balanceamento dos portfólios e o ‘timing’ sempre foram os pontos mais complexos para a realidade financeira do Brasil.

No mercado local, temos uma característica única, pois quando comparamos as rentabilidades de diversas aplicações financeiras, o CDI costuma ser uma boa opção de ganho para qualquer investidor. Quem opta pela diversificação quer uma rentabilidade melhor do que a do CDI.

Durante muito tempo, os brasileiros se depararam com um mercado fechado para investimentos internacionais, mas hoje cada vez mais observamos o crescimento destas posições nas carteiras das pessoas físicas de todos os segmentos.

Existem hoje no país diversas formas e veículos para o investidor distribuir seus recursos em ativos internacionais – também chamados de offshore. A escolha ideal depende de vários fatores como o tamanho do patrimônio, o custo, a facilidade, a conveniência, entre outros, que devem ser discutidos com seu planejador financeiro.

As alternativas mais comuns são as aplicações em fundos multimercados para investidores qualificados ou superqualificados ou a abertura de uma conta pessoa física fora do Brasil. Neste caso, o mais comum para nós, brasileiros, é fazer investimentos no mercado americano.

Com o atual cenário doméstico repleto de incertezas, diversificar em ativos internacionais pode ser mais do que apenas uma alternativa lucrativa. Vale ressaltar que a construção de um portfólio deve ter exposições a diferentes fontes de risco e não somente a classes de ativos distintas, mas sempre deve ser levado em conta o perfil de cada investidor. Descobrir se você é conservador, moderado ou agressivo é muito importante na hora da tomada de decisão, ou seja, o investidor deve realizar um planejamento financeiro benfeito e bem-elaborado.

Em relação ao perfil e à atividade dos fundos com alocação internacional, deve também se levar em conta que, de acordo com a legislação, os fundos classificados como multimercados possuem políticas de investimentos que envolvem vários fatores de risco, sem o compromisso de concentração em nenhum deles. Isto significa dividir seus recursos em ativos locais, com uma parcela de 80%, e ativos internacionais até o limite de 20%. A atenção que o investidor deve ter neste tipo de aplicação é entender a política de investimentos, ou seja, onde o gestor alocará os ativos internacionais e qual a estratégia em questão. A grande maioria deste tipo de fundo aloca os 20% em mercados desenvolvidos ou alguns emergentes com oportunidade de valorização.

É importante também destacar que, ao se alocar neste tipo de ativo, o investidor está adquirindo também uma exposição à taxa de cambio. Ou seja, além da performance dos ativos internacionais que, na maioria das vezes, são ações de países desenvolvidos, caso o dólar se aprecie ou deprecie em relação ao real, o resultado vai impactar diretamente a rentabilidade do investimento. Esta é mais uma variável que fala a favor deste tipo de investimento, pois, dado o cenário atual, a grande maioria dos economistas prevê uma valorização do dólar em relação ao real.

Portanto, nos dias de hoje, alocar seu dinheiro de forma saudável é fundamental para obter bons resultados financeiros e o investimento internacional completa um ciclo de diversificação não só no que diz respeito a classes de ativos. Desde que foi aprovado pelo regulador, esta modalidade vem aumentando sua participação diante de outros investimentos.

Augusto Miranda é diretor de gestão de patrimônio do HSBC.

Fonte: Valor Econômico de 2.4.2014.

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