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Apartamento na planta pode ser feito sob medida

Folha de São Paulo, Janela, 24/fev

Um apartamento com a cara do cliente, mas sem o transtorno de ter que contratar funcionários, pesquisar e escolher material ou esperar longos prazos antes de receber o espaço pronto para morar. Essa é uma proposta cada vez mais comum entre as construtoras, que oferecem a possibilidade de fazer alterações no imóvel ainda planta.

O serviço é um diferencial competitivo na hora de oferecer um novo empreendimento. Para não virar bagunça, as construtoras costumam oferecer um leque de possibilidades –como a configuração do apartamento ou o acabamento usado.

Segundo Vitor Marques, gerente de marketing da Marques Construtora, cerca de 90% dos compradores de imóveis fazem algum tipo de alteração na planta original. A mais comum, segundo ele, é a retirada de paredes.

“Mais da metade escolhe abrir mão de um quarto e aumentar a sala de estar. Em plantas com quatro dormitórios, a maioria pede três. Só as de dois quartos costumam ficar originais”, diz

No mercado, não há uma padronização e cada empresa tem autonomia para criar as regras, e claro, negociá-las com o consumidor.

“O ideal é que a definição ocorra antes do início das obras para permitir que o construtor se planeje para ter os materiais nos momentos certos. As alterações não podem afetar a estrutura do edifício e devem sempre obedecer aos limites de instalações hidráulicas e elétricas”, diz o vice-presidente de imobiliário do Sinduscon-SP (sindicato da construção), Odair Cunha.

PADRÃO MELHOR

Atualmente, a proposta de personalização é mais comum a empreendimentos de médio a alto padrão, mas começa a se espraiar para outros segmentos.

Na Gafisa, o sistema “Personal Line” se iniciou em 1998 e permite que os clientes, com o apoio de um profissional de arquitetura, definam a planta e os acabamentos. Kátia Varalla, diretora de produto da empresa, diz que as opções de planta não têm custo adicional, mas que há preço diferenciado para acabamentos como porcelanatos, louças, metais, mármores e granitos.

Segundo Marques, a mudança na planta de uma unidade tem custo para a construtora, mas que o valor é absorvido pela opção de compra do cliente.

“Acaba sendo vantajoso para o cliente, porque terá material diferenciado por preço menor que conseguiria no mercado. E não vai ter desperdício. Ele não vai pagar pelo acabamento padrão, que teria de ser retirado para colocar um melhor, posteriormente. E a construtora deixa de comprar o padrão. É um custo administrativo”, argumenta o executivo.

A política da Conartes, construtora com atuação mais concentrada em Minas, é tentar satisfazer exatamente o que o cliente deseja, segundo o gerente de comunicação da empresa, Thiago Xavier.

“Todas as propostas de alterações são analisadas. Por isso, é difícil falarmos de custos, mas existem os que alteram completamente o projeto inicial, e a mudança pode custar um valor até próximo ao do imóvel.”

IDENTIDADE

A advogada Maria Helena Gurgel Prado fez, com o auxílio de uma decoradora, a simulação das possibilidades de alterações no próprio site da construtora Luciano Wertheim.

“Para olharmos os materiais, eles montaram no térreo do próprio prédio uma sala com amostra de todos os acabamentos que seriam usados e os que poderíamos trocar. No site, ao clicar no apartamento escolhido, todos os cômodos já apareciam com a descrição dos acabamentos”, conta ela.

No caso do executivo de vendas, Gunther Calvente, a ideia de adaptar a nova moradia às suas demandas foi determinante para escolher a construtora. Há mais de dois anos, ele comprou um apartamento em São Paulo, com um desenho exatamente como imaginava.

“A praticidade de receber o imóvel já com as modificações foi o fator que mais pesou. E também fiquei satisfeito com a liberdade para agendar e visitar a nossa unidade, para ver o que eles estavam fazendo e ainda iriam fazer”, diz Calvente.

Para Maria Helena, a possibilidade de proprietário imprimir sua identidade ao imóvel em construção é irreversível. “Com a carência de áreas verdes e a violência, muita gente quer ficar mais em casa, então personalizar os apartamentos é uma tendência que vai aumentar”.

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