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Anúncio de fechamento de fundo preocupa investidor

Valor Econômico

Anúncio de fechamento de fundo preocupa investidor

O anúncio de que a gestora independente EM Galleas fechou dois fundos para resgates e aplicações na terça-feira causou mal-estar no mercado ontem. Por pura desinformação, muitos investidores associaram o fechamento da carteira a uma quebra do fundo, o que não foi o caso. Mesmo os que não eram cotistas do fundo ficaram preocupados e os gestores de recursos e profissionais de escritórios de aconselhamento financeiro passaram o dia explicando a medida aos clientes.

Diante das condições adversas do mercado, a EM Galleas optou por congelar para resgates e aplicações as duas carteiras que aplicam principalmente em ações de menor liquidez, as chamadas “small caps”. Essa decisão está totalmente em linha com o prospecto do fundo e de maneira alguma quer dizer que o fundo quebrou. Muito pelo contrário. A medida visa preservar o cliente que tem visão de longo prazo. Isso porque quando o mercado está muito ruim e o investidor resolve sacar os recursos do fundo, o gestor é obrigado a ir ao mercado vender seus papéis a qualquer preço a fim de honrar os resgates. Isso acaba prejudicando os investidores que permanecem no fundo, pois a carteira terá mais perdas, já que os papéis estarão com preço menor no mercado.

Um fundo só quebra se o gestor puder fazer alavancagem, ou seja, quando a carteira compra mais papéis do que o valor de seu patrimônio. Mas o gestor só irá adotar esse tipo de estratégia mais arriscada se o regulamento do fundo permitir. Por isso, é importantíssimo que o investidor leia o prospecto do fundo antes de aplicar e entenda claramente os riscos da aplicação.

Mas, no caso do congelamento para resgates e aplicações, a medida está prevista no prospecto de praticamente todos os fundos, independentemente da categoria. “Em casos excepcionais de iliquidez dos ativos componentes da carteira do fundo, inclusive em decorrência de pedidos de resgates incompatíveis com a liquidez existente, ou que possam implicar alteração do tratamento tributário do fundo ou do conjunto dos cotistas, em prejuízo destes últimos, a administradora poderá declarar o fechamento do fundo para a realização de resgates”, alerta a maioria dos prospectos. Caso o fechamento ocorra, no entanto, é preciso convocar assembléia geral.

Mas, num momento de extrema volatilidade como o atual e após várias instituições internacionais terem quebrado, o anúncio do congelamento gerou pânico em alguns investidores. “Muitos que aplicam em fundos de “small caps” questionavam, por exemplo, se isso também poderia acabar acontecendo com eles, diz um executivo. Na visão dele, é compreensível o gestor querer preservar o investidor que tem visão de longo prazo. “Mas, do lado do cotista é uma medida complicada, porque o cliente fica engessado, querendo sair”, diz.

No caso do Galleas, houve até quem suspeitasse de irregularidades, uma vez que o anúncio foi feito pelo administrador dos fundos, o UBS Pactual. “A atitude de buscar alternativas para se proteger de uma possível onda de saques, já que são fundos com ações de baixa liquidez, foi sensata, mas a solução de congelar as carteiras foi infeliz”, afirma um distribuidor de fundos que preferiu não se identificar.

Segundo esse executivo, ao receber a informação do congelamento para resgates, ele fez um levantamento dos ativos que os fundos têm em carteira e viu que a gestora teria condições de liquidá-los, se necessário, em dois meses. “Os fundos não estavam quebrando, mas a notícia gerou pânico entre os investidores.”

Para ele, a melhor saída teria sido conversar com os principais investidores dos fundos para desenhar uma solução conjunta que não precisasse passar necessariamente pela suspensão dos saques. “O gestor deveria ter chamado uma assembléia para votar o alongamento dos prazos de carência”, avalia. No atual cenário, um fundo de “small caps” tem de ter carência de no mínimo 180 dias, diz essa mesma fonte. “A liquidez pesa contra o cliente.”

Já para um gestor de fundos de ações, tirar o direito de o investidor movimentar seus recursos é o pior que o gestor pode fazer. “É melhor executar os resgates, nem que isso signifique uma queda maior do fundo”, diz.

Na Orbe, que tem um “small caps” de R$ 110 milhões, não houve grandes reações à iniciativa da Galleas de congelar seus fundos de investimentos para aplicações ou saques, apesar de carteira da gestora ter características similares – com papéis de baixa capitalização, liquidez restrita e com viés de longo prazo

Segundo Fabio Figueiredo Carvalho, sócio da gestora, desde setembro o fundo começou a registrar ingressos, de aplicadores que consideram que os preços das ações caíram abaixo do razoável. Na semana passada houve, sim, uma certa retração, em resposta às quedas históricas observadas nos mercados globais. A ordem da casa agora é manter um nível adequado de caixa para fazer frente a eventuais resgates e comprar com cuidado. A Orbe começou o ano com um patrimônio de cerca de R$ 400 milhões, distribuídos em quatro fundos. Atualmente conta com algo em torno dos R$ 350 milhões.

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