Felsberg Advogados
Home | Anbima quer regulação para assessoria independente
Publicações

Anbima quer regulação para assessoria independente

A busca por um serviço de assessoria financeira independente, não ligada a bancos, e a crescente busca por investimentos que ofereçam retornos interessantes em tempos de taxa básica de juros em níveis baixos, têm contribuído para o aumento da procura por “family offices” – que fazem a gestão de fortunas para famílias com alto poder aquisitivo. O número dessas gestoras tem crescido no país, apesar desse mercado ainda não contar com uma regulação específica.

Hoje existem cerca de 50 empresas que prestam serviço de gestão de patrimônio no Brasil. As 20 maiores, que respondem por 80% desse mercado, detêm cerca de R$ 50 bilhões sob administração, segundo George Wachsmann, presidente do Comitê de Gestão de Patrimônio da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). “Com a consolidação bancária, as grandes instituições passaram a ter uma dificuldade de prestar atendimento personalizado aos clientes”, afirma Washmann, que também é sócio da Bawm Investments, gestora de patrimônio que tem cerca de R$ 1 bilhão de recursos de terceiros. Na Bawm, o volume de ativos sob gestão cresceu 25% nos últimos 12 meses.

A participação das gestoras independentes representa cerca de 10% do mercado de gestão de fortunas brasileiro. Nos Estados Unidos, essa parcela está próxima de 40%, estima José Eduardo Martins, sócio da GPS, uma “multi-family office” que gere R$ 12 bilhões.

O segmento, no entanto, ainda não tem uma legislação específica, e a Anbima está discutindo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a possibilidade de criar uma regulação específica para a atividade.

A Anbima já tem um código de melhores práticas, criado em 2010, que foi adotado por 28 gestoras de patrimônio.

Hoje os profissionais que atuam na área de gestão de patrimônio têm o certificado de administrador de carteira, regulado pela Instrução 306, ou têm habilitação para trabalhar como consultores de investimento, atividade sob a supervisão da Instrução 43. “A falta de uma legislação formal para a atividade de gestão de patrimônio facilita o ingresso de novas empresas. Mas será que todas estão preparadas?”, questiona Wachsmann.

Com a consolidação bancária, muitos executivos saíram dessas instituições e montaram suas próprias butiques de investimento.

Para Wachsmann, a atuação do gestor de patrimônio é muito mais abrangente que o de um administrador de carteira ou consultor de investimento, envolvendo assessoria financeira, planejamento sucessório e tributário. “Só a certificação não é garantia de que a empresa tem uma estrutura, equipe e processos adequados.”

Em novembro de 2011, a CVM colocou em audiência pública a proposta da instrução que regulará a atuação dos administradores de carteira, em substituição à Instrução CVM 306/99, na qual pode estar inserida parte da atividade das family offices. A audiência pública foi encerrada e os comentários estão em fase de análise pela autarquia. “Acho que tem muito pouco prazo para que isso seja contemplado na alteração da Instrução 306”, acredita Wachsmann.

As aberturas de capital das empresas brasileiras e as operações de fusões e aquisições no país contribuíram para aumentar o volume de recursos disponíveis para investimento. Só em 2011, o país contabilizava 165 mil milionários, avanço de 6,2% em relação a 2010, a maior expansão entre os principais países do mundo.

O crescimento desse nicho de clientes tem chamado a atenção de bancos e butiques internacionais. A Serficom, braço de family office do Banque Pasche focado em private banking e com sede em Genebra, abriu um escritório no Rio de Janeiro para atender clientes brasileiros. No ano passado, o private banking suíço Julius Baer adquiriu 30% da GPS Participações. A empresa de assessoria financeira americana Evercore se associou, em 2010, à G5 Advisors.

Para Martins, da GPS, o processo de consolidação desse mercado deve continuar. “Estamos sempre olhando oportunidades de fusão.”

Além de vender apenas um serviço de assessoria financeira independente, essas gestoras oferecem aos investidores a possibilidade de aplicar em produtos mais sofisticados, que prometem um retorno maior que o das tradicionais aplicações em renda fixa.

A gestora G5 Evercore estuda lançar um fundo de venture capital de R$ 150 milhões para investir em empresas com faturamento de até R$ 250 milhões, que será distribuído para clientes da casa. “É um fundo para no máximo 20 investidores, que muitas vezes não conseguem ter acesso a um private equity”, diz André Benchimol, responsável pela área de gestão de patrimônio da G5 Evercore, que administra recursos de 100 famílias.

Outras propostas em análise pela G5 Evercore, que também atua no segmento de “private equity”, incluem investimentos no setor de energia, além de alocações pontuais de clientes em galpões de logística e lajes corporativas.

A GPS também avalia o investimentos em fundos de private equity e imobiliário para os clientes. Outras oportunidades destacadas por Martins, sócio da GPS, estão na área de crédito privado, como em fundos de recebíveis e papéis que oferecem isenção de Imposto de Renda, a exemplo das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). “Com a queda da Selic, os investidores terão que alocar mais em ativos de maior risco”, diz Martins.

Já a gestora Claritas tem um Fundo de Investimento em Participação (FIP) com foco no setor florestal, voltado para a venda de madeira para o mercado de celulose, e estuda lançar outro portfólio para ser oferecido a clientes da gestora. “É um investimento de longo prazo, com retorno esperado de inflação mais taxa de 12% ao ano”, afirma Ernesto Leme, responsável pela área de wealth management na Claritas, que conta com R$ 900 milhões, de 43 famílias, sob gestão.

Valor Econômico de 27.8.2012.

Topo Voltar