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Analistas apostam em recuperação da Iochpe

Por Karla Spotorno

A Iochpe-Maxion, fabricante de autopeças e equipamentos ferroviários, tem sido vista por diferentes analistas como uma boa oportunidade no setor industrial. “Acreditamos que a perspectiva de um segundo semestre de 2012 melhor não esteja incorporada ao preço e, portanto, vemos o ‘valuation’ [a precificação da ação] atual como um ponto de entrada atrativo para investidores com um horizonte de retorno posterior a 2012”, escreve Luis Vallarino, analista da corretora do Citi, em relatório. Para ele, o preço-alvo para os próximos 12 meses é de R$ 40. Na segunda-feira, o papel fechou a R$ 26,64.

Os especialistas da XP Investimentos concordam com Vallarino. Afirmam que a Iochpe-Maxion é “sem dúvida um ‘case’ de crescimento, e tais expectativas não se refletem em seus preços”. A discrepância fica clara diante do indicador preço sobre o lucro (P/L) estimado para 2012: “O P/L é de 9,7 vezes ante 11 vezes na média do setor”. Para Mario Bernardes Jr., do BB Banco de Investimento, o papel é a melhor opção dentro do setor industrial. “É uma aposta para o segundo semestre”, afirma. Assim como Vallarino, Bernardes Jr. recomenda a compra do ativo. O papel também está no radar da Magliano Corretora, que indica compra.

Os últimos dados sobre o aumento da produção das montadoras no Brasil foram positivos para a empresa. As receitas das divisões voltadas para veículos demonstraram crescimentos de 286% (rodas e chassis) e de 18% (componentes estruturais), proporcionados pelo mercado nacional e também pelo efeito das aquisições feitas no ano passado. Em 2011, a companhia gaúcha comprou o Grupo Galaz, do México, produtor de longarinas de aço (principal componente dos chassis), e a americana Hayes Lemmerz, fabricante de rodas automotivas. No gráfico acima, são visíveis a preponderância das autopeças na receita frente à participação do segmento ferroviário.

A consolidação das aquisições, porém, trouxe um efeito negativo para o balanço: o incremento da alavancagem financeira. A relação dívida líquida/Ebitda no fim do semestre chegou a 6,1 vezes. Para enfrentar esse nível de endividamento, a direção da empresa chegou a anunciar, em maio, a intenção de realizar uma nova emissão de ações para captar cerca de R$ 700 milhões, como noticiou o Valor na época. Semanas depois, desistiu da oferta em razão da “deterioração das condições do mercado de capitais nacional e internacional”. Como mostra o gráfico, a conjuntura não era nada boa. O papel caía desde 9 de abril, quando chegou à maior cotação do ano (R$ 37,10).

Para Vallarino, do Citi, a empresa parece ter passado pelo “ponto mais baixo do seu ciclo”. Os analistas da Magliano compartilham o mesmo tom positivo: “Quando passarem os impactos no custo das aquisições (…), o resultado irá melhorar consideravelmente”. A ação tem reagido. Demonstra uma alta consistente desde a pior cotação no ano (R$ 20,31) no dia 23 de julho. Como afirma o especialista do Citi, agora é observar a produção da empresa e o efeito dos incentivos do governo.

Na corretora Coinvalores, porém, o tom é mais cauteloso. “Apesar do cenário mais favorável para o segundo semestre, por conta das medidas de incentivo ao setor automotivo, recomendamos apenas a manutenção de seus títulos em carteira”, dizem os analistas em relatório. Para justificar suas considerações menos otimistas, eles apontam alguns resultados do segundo trimestre. “Desconsiderando o efeito das aquisições [consolidadas no balanço divulgado em 14 de agosto], a receita líquida teria atingido R$ 593,5 milhões, redução de 14,5% [no segundo trimestre de 2012 em relação ao mesmo período de 2011].” Levando em conta as duas estrangeiras, a receita chegou a R$ 1,51 bilhão, com crescimento de 118% no período mencionado. Segundo dados da “Bloomberg”, 11 analistas recomendam compra para Iochpe; dois, a manutenção; e dois, a venda.

Valor Econômico de 22.8.2012.

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