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Ampliação da credibilidade do BC atua para reduzir custo do crédito

Valor Econômica

Ampliação da credibilidade do BC atua para reduzir custo do crédito

Apesar de os juros futuros previstos para os próximos meses terem subido nos últimos três dias, o ajuste à decisão do Copom de intensificar o aperto monetário forçará novas elevações hoje. As taxas longas, sobretudo para os contratos com vencimento a partir de 2010, já estão mais ajustadas e passarão a refletir a ampliação da credibilidade do BC. Tido como um dos poucos bancos centrais do mundo que estão “à frente da curva de juros”, o BC brasileiro aumenta a dose de confiança dos agentes financeiros em suas decisões.

Para analistas independentes, a ampliação do aperto monetário pode se transformar num tiro no próprio pé do BC. O raciocínio é o de que, se a austeridade já mundialmente aplaudida conseguir aumentar ainda mais a sua credibilidade junto aos agentes econômicos, logo a expectativa de IPCA para 2009, em 5% segundo o último Focus, voltará ao centro da meta de 4,5%. Para ser coerente com esse retorno, as taxas de juros longas, projetadas para 2009 e 2010 pelo mercado futuro da BM&F, recuarão, tornando mais baratos os financiamentos bancários a empresas e consumidores. Ou seja, um choque de juros pode, em prazos maiores, provocar mais inflação, além de encarecer a rolagem dos papéis da dívida pública.

Para o economista-chefe da Gradual Corretora, Pedro Paulo da Silveira, a decisão de ontem visou justamente melhorar ainda mais a alta credibilidade do BC, ao sinalizar que não vai contemporizar com as pressões inflacionárias. Não irá se eximir a fazer o seu papel a despeito do comedimento monetário exibido pelos bancos centrais dos países desenvolvidos.

Para Miguel Daoud, diretor da Global Financial Advisor, o Copom quer colocar logo a inflação esperada para 2009 em linha com a meta de 4,5%, porque o processo inflacionário atual pode tornar-se perigoso. Se conseguir logo a convergência, o total do aperto monetário imaginado pelo mercado – entre 300 a 400 pontos percentuais – não precisará ser estendido.

No entender do economista-chefe da Concórdia Corretora, Elson Teles, a principal justificativa para a aceleração do ritmo de aperto monetário foi o aumento dos riscos e conseqüente piora no cenário prospectivo de inflação em relação ao traçado pelo Copom na reunião anterior. “Ao agir dessa forma, o Copom reafirma, aos agentes econômicos, o seu compromisso em perseguir, de forma tempestiva, o centro da meta de inflação já para o ano-calendário de 2009”, diz o economista. Ao mesmo tempo, na visão de Teles, essa decisão deverá contribuir para resguardar a credibilidade do Copom e reforçar o processo de ancoragem das expectativas de inflação.

Em nota, a Força Sindical condenou a “dose cavalar” do aumento dos juros. “Manifestamos nosso repúdio a este aumento cavalar da taxa Selic decidido pelo governo sob a alegação de que é preciso estancar a aceleração do processo inflacionário, reduzindo a demanda”, diz. A CNI desaprovou a alta de 0,75 ponto, pois considera a política monetária gradualista mais eficiente em ambientes de incerteza.

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