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Ambientalistas querem relatório de sustentabilidade obrigatório

Valor Econômico de 04 de junho de 2012

Ambientalistas querem relatório de sustentabilidade obrigatório

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) enviou nesta segunda-feira, 4, carta à presidente da República, Dilma Rousseff, pedindo que as grandes empresas, públicas e privadas, que atuam no Brasil, sejam obrigadas a publicar relatório de sustentabilidade periodicamente a partir de 2014. Às vésperas da conferência das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável, a Rio+20, o CEBDS quer dar ao setor empresarial o papel de ator fundamental em um debate para repensar o modelo econômico do país.

Antes que se torne obrigatória a publicação do relatório, o documento entregue à Presidência sugere que haja uma discussão com os atores envolvidos durante 12 meses. A recomendação é que o governo adote um modelo de regulamentação que mantenha aberta a possibilidade de as empresas justificarem a não publicação. A presidente do CEBDS, Marina Grossi, se reunirá nesta terça, 5, com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, para falar sobre o assunto.

Marina afirmou que os relatórios de sustentabilidade foram abordados no documento-base da Rio+20 “O Futuro que Queremos”. No entanto há apenas uma recomendação de encorajamento das empresas para a publicação dos relatórios. “Acreditamos que o país pode ser mais ousado”, disse a presidente do CEBDS.

Marina disse que as recentes crises financeiras reforçam a importância da transparência das informações corporativas, principalmente as relacionadas à sustentabilidade econômica, social e ambiental. Segundo ela, o comportamento das empresas perante a sociedade muitas vezes tem impactos financeiros diretos.

Países como Dinamarca, Suécia, Malásia, Equador e Reino Unido têm legislações próprias que regulamentam a publicação de informações socioambientais, segundo o documento. “A África do Sul, por exemplo, já exige que empresas listadas na bolsa reportem questões financeiras e socioambientais de forma integrada”, diz a carta à presidente. Marina disse também que as pequenas e médias empresas, embora não sejam obrigadas à divulgar relatórios, também devem ser estimuladas.

Há 20 anos, na Eco92, as grandes empresas eram vistas como vilãs da melhoria da qualidade de vida, disse Marina. Atualmente, segundo a presidente do conselho, o Brasil já é o terceiro país em número de empresas que publicam relatórios de sustentabilidade no mundo, a partir da metodologia GRI.

Dados de 2010 mostram que as empresas brasileiras foram responsáveis por 7% dos relatórios publicados, atrás apenas das americanas (10%) e das espanholas (9%). “O Brasil responde bem voluntariamente. No entanto, o voluntário não tem fôlego, queremos responder ao censo de urgência”, disse Marina.

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